Holofotes

Audimetria

A questão das audiências levanta algumas questões relativas à fiabilidade dos resultados que são, todos os dias, contados para todos os programas da grelha generalista portuguesa. Depois de a Marktest ter sido acusada de falta de profissionalismo pela TVI pois a primeira se enganou num resultado audimétrico, eis que temos mais um choque a nível audimétrico.

Ora, o leitor sabe que para cada dia da semana existe um TOP nacional onde do primeiro ao décimo lugar estão contemplados os canais mais vistos dia, Cabo incluído e, entre eles estão a SIC Notícias, o Panda, o Disney, a FOX Life, a FOX, entre outros tantos que mostram bastante bem quais as opções televisivas do espectador. A nível estatístico, isto é preponderante pois se o espectador prefere a FOX Life significa que o Grupo FOX International Channels irá apostar num design mais interessante e apelativo para que possa aumentar os números. Isto não é nada mais do que Marketing.

O interessante desta semana é que o canal 10 do serviço MEO, desde o começo do nosso reality show da TVI, Secret Story, tem realizado uma emissão em directo 24h por dia, 7 dias por semana onde o espectador pode estar a acompanhar o que realmente se está a passar na Casa e ficar a par das “novidades” que por lá surgem e conseguiu surgir na tabela dos canais mais vistos tendo ultrapassado o Disney e até o Panda.

Se o voyeurismo das pessoas era grande quando algum reality show mostrava a vida de n concorrentes dentro de uma casa A, seguindo todos os seus movimentos a toda a hora, então com este canal, o voyeurismo atinge valores altamente ridículos. É óbvio que o ser humano tem aquela curiosidade de saber o que acontece com o vizinho pois bem diz a sabedoria popular, “A galinha do vizinho é melhor que a minha”, mas não devemos levar ao extremo um situação que ao fim de 4 semanas ou começa a fartar ou começa a ser tão entediante que deixa de ser interessante.

O mais engraçado de tudo isto é o facto de por mais falível que possa ser o sistema de análise de números, estes não deixam de demonstrar quais as prioridades televisivas do espectador naquele intervalo de tempo. Dou, ao leitor, um outro exemplo: ao sábado à noite, está a dar a nova temporada de Operação Triunfo e poucas são as pessoas que ligam a TV àquela hora para ver, realmente, um produto de entretenimento que tem mais qualidade que os Ídolos (sendo este um fenómeno mundial).

O espectador vai para o que é popular, o que mexe com as outras pessoas, a vida privada de cada um. Estamos em Portugal, portanto, onde a monocultura novelesca se instaurou a pedra e cal. Ainda nem acabou uma novela, já a outra tem estreia marcada para o dia útil a seguir ao fim da outra. Onde temos a variedade que as televisões afirmavam que iriam dar neste novo ano que se apresentava promissor? Onde está aquela atitude vanguardista, aquela atitude do “quero mais e melhor”, a inovação? Apenas regressámos às fórmulas antigas do sucesso que nada mais trazem aos espectadores senão uma enorme vontade de saber o que é que o seu vizinho anda a preparar na cave de sua casa… É triste, mas é a cultura e a intelectualidade que temos neste nosso País.

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