Frente a Frente

Frente a Frente – junho

 

Pela primeira vez, em direto e em português, chega a est’A Televisão o Frente a Frente. O deste mês coloca em duelo os três principais programas de domingo: Último a Sair (RTP), Peso Pesado (SIC) e Perdidos na Tribo (TVI). Por esta ordem, expomos a opinião de cada autor sobre os formatos em questão. Diana Casanova analisa a sátira aos reality shows da RTP, Tiago Henriques critica Peso Pesado e, por fim, Diogo Santos dá a sua opinião sobre Perdidos na Tribo.

Último a Sair é um programa tão genial quanto incompreendido, especialmente por ser extremamente inovador e estar na estação pública de televisão. Criado por Bruno Nogueira, João Quadros e Frederico Pombares é um formato que pretende satirizar os reality shows. Como tal, as situações que se vivem na casa são típicas de um reality show, levadas ao extremo com a finalidade de fazer comédia. E que comédia que é! Brilhante!

Muitos de vós dirão: mas aquilo é uma grande confusão! Sem dúvida, mas e o conceito de reality show não implica ter 12 pessoas constantemente aos gritos? Tudo a falar ao mesmo tempo? É que de todos os reality que tive oportunidade de ver, isso é tão certo como todas as semanas sair um concorrente.

Último a Sair oferece-nos momentos de ir às lágrimas de tanto rir, por ser natural e despreocupado, o humor funciona quase na perfeição e, embora alguns dos atores sejam melhores do que outros, no geral, todos têm algo a oferecer ao formato. A revelação do programa é, sem dúvida, Roberto Leal. Rui Unas e Bruno Nogueira estão ao nível que nos habituaram desde sempre, enquanto os restantes concorrentes são de louvar por terem a humildade de não se levarem demasiado a sério e “entregarem-se” a este programa e serem “gozados”.

Para além disso, Último a Sair tem a particularidade de exigir uma grande coordenação entre os 12 concorrentes iniciais (agora já menos), pois todos estão no “plano” a ser filmado. É fascinante como existem tantos pormenores que por vezes nem nos apercebemos numa primeira visualização. É por essa razão que digo que um dia este programa será reconhecido pelos seus méritos, sendo que também estou ciente que se trata de um formato que não é direcionado ao grande público, ou não obtivesse as audiências que tem vindo a obter.

Com certeza que tem piadas que não funcionam, mas também tem dos momentos mais engraçados da televisão atual. A inovação que constitui também deve ser valorizada e num panorama televisivo que tantas vezes parece monótono (novelas, telejornais, novelas, telejornais), Último a Sair é uma lufada de ar fresco para aqueles que estão fartos daqueles formatos. É engraçado e ao mesmo tempo inteligente, no sentido em que existem tantas referências a outros programas, temas, etc, que acabam por enriquecer substancialmente todo o conceito.

Devido ao facto da RTP ter um horário de emissão algo “intermitente”, não perco um único segundo do Último a Sair na plataforma online do canal. É genial e hilariante. Para mim, existem poucos programas como este. Disso não tenho dúvidas.

Hoje em dia, mais do que nunca, a televisão vive da emoção. Seja em telenovelas, em programas de entretenimento e até, muitas vezes, em formatos de informação. Sem sombra de dúvidas que um programa em que as emoções sejam bem exploradas terá ainda mais garantias de sucesso.

Como não podia deixar de ser, Peso Pesado não foge à regra e, ao contrário do que muita gente diz, não creio que as emoções dos concorrentes sejam utilizadas como fator chave do sucesso do formato. É claro que é uma parte muito importante, mas, no meu entender, faz todo o sentido. Quem, ao ver a versão de The Biggest Loser nacional não se emociona com o drama dos 20 concorrentes que quiseram dar uma nova oportunidade à sua vida? É por isso que, aos domingos, eu não posso deixar de ver este formato. Ou melhor, de segunda a sexta-feira e aos domingos, e muitas vezes ao sábado também.

Desde o primeiro instante que fiquei “vidrado” em Peso Pesado. Era um acérrimo fã da versão original que a SIC Mulher emitia e sempre disse que Portugal devia seguir a mesma “onda” e apostar numa versão nacional. Num país com tanto excesso de peso, faz todo o sentido. É que, mais do que os 50 mil euros que há de prémio final, cada um dos participantes ganha qualquer coisa e não, não estou a falar dos cinco minutos de fama, do reconhecimento público, como acontece com os talent-shows nacionais ou com osreality-shows a que estamos habituados. Ali ganha-se saúde e anos de vida. E isso, mais do que 100 ou 50 mil euros, vale uma fortuna.

Sou suspeito a falar deste formato, uma vez que já vivi de perto com o drama do excesso de peso, mas consigo imaginar o sofrimento de cada um dos vinte seres humanos que passaram pela Herdade Peso Pesado. É triste ver que não conseguem correr para apanhar o comboio, algo que faço tantas vezes, ou que não conseguem ir a uma qualquer superfície comercial e arranjar roupa facilmente. É triste e frustante. Mas, cada um de nós tem várias oportunidades de vida e dentro daquela casa, está-se a viver uma nova oportunidade.

Mais do que os joguinhos, imprescindíveis neste género de programas, as más línguas, as traições, as amizades, os amores, tudo, perder peso é que é o mais importante, mas de uma forma saudável, bem como todo o processo psicológico que está envolvido.

É claro que Peso Pesado não é igual ao original, nem faria sentido se o fosse. É importante que cada versão nacional de um determinado formato tenha algo de “seu”, algo que o distinga dos restantes. E nisso, o programa apresentado por Júlia Pinheiro está a caminhar num bom caminho.

Porque muita gente pode não se lembrar do primeiro, do segundo, do último classificado do Família SuperStar, do Big Brother, do Circo das Celebridades, do Ídolos, da Operação Triunfo, mas, certamente, que muitos de nós recordarão por um largo período de tempo os vinte participantes da primeira edição de Peso Pesado. Mais do que os resultados das audiências, do investimento da televisão de Carnaxide, o importante, é retirar daqui uma lição de vida. E Peso Pesado faz isso diariamente. Pelo menos para quem vê.

Estreou com 16,1% de audiência média e 41,5% de share, o que tornou o concurso da estação de Queluz de Baixo um autêntico vencedor desde a sua estreia. Perdidos na Tribo, com apresentação de Leonor Poeiras, reúne 12 personalidades bem conhecidas do público português, em busca pela sobrevivência em locais nunca antes imaginados. Assim, em plena selva, e em contacto com diferentes culturas, os  famosos deixaram os luxos de lado, para dar lugar a práticas poucos comuns no quotidiano do ser humano.

O canal da Media Capital voltou a apostar nos tempos de Survivor, nos seus ingredientes, e tem conseguido impor-se contra Peso Pesado. Afinal, o reality-show da estação de Carnaxide prometia um concorrente à altura, e assim o teve. José Castelo Branco tem sido uma das grandes caras de Perdidos na Tribo, aliado à boa-disposição de Vera Ferreira, ao lado maternal de Cláudia Jacques e ao sentido de companheirismo de Mafalda Teixeira. Mais que um concurso, o programa da TVI tem demonstrado ser uma autêntica experiência de vida para os doze famosos, que passaram a ter noção dos condicionamentos, das imposições, das normas de culturas diferentes. Independentemente dos figurantes pagos, ou de outro tipo de “falsidades”, a verdade é que o canal da Media Capital tem conseguido transmitir ao público português uma oferta televisiva diferente. Mais do que nunca, as diferenças entre Perdidos na Tribo, Peso Pesado e Último a Sair são visíveis, não estando desta vez estes programas baseados em atuações musicais ou de dança.

Apesar de não achar este concurso fenomenal, e de nem sempre ser a minha escolha para as noites de domingo, tenho de concluir que foi uma ideia inteligente por parte da direção de programas da TVI de não só apostar no estilo selvagem de culturas que à partida seriam desconhecidas para os portugueses, como igualmente colocar Leonor Poeiras a conduzir o concurso.

 

E assim fechamos mais um Frente a Frente! Deixe a sua opinião nos comentários. Queremos saber qual é a sua preferência no que toca às opiniões aqui expostas. E para o mês que vem voltamos com mais duelos. Até lá!

  • Filipa

    Quero desde já dar os meus sinceros parabéns a Diana Casanova pelo texto, que no meu ver é o mais bem exposto e mais interessante de ler.

    Eu sou muito suspeita para comentar este três programas, pois acompanho todos, graças as novas tecnologias do televisão por cabo que deixa gravar ate 3 programas em simultaneo.

    Mas o que gosto mais é do Ultimo a Sair, pois é um programa de humor, e nos dias de hoje temos que nos rir. Já para não falar nos dois humoristas (Unas e Nogueira) que só a maneira como este se comportam faz rir, pois eles são humor dos pes a cabeça. E é bom haver uma satira ao que é feito pela concorrencia até para eles não voltarem a apostar em coisas que por vezes não são muito adequadas, como a Casa dos Segredos que não é um programa muito interessante ja se fazer, não tem conteudo, é quase com uma novela, mas com maus actores.

    Quanto ao Peso Pesado é um programa interessante, com uma exelente apresentadora (para mim a melhor que temos em Portugal), mas que falta mais qualquer coisa para agarrar os telespectadores.

    Já o Perdidos na Tribo é um programa interessante culturalmente e com alguma animação por parte do José Castelo-Branco e da Verissima, que são sem duvida a atracção do programa.

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