Fora de Série

“Tell Me You Love Me”

O Fora de Série estreia-se nesta nova casa – A Televisão – e recebe na equipa a Marta Miranda, que promete trazer inovação e novas formas de olhar para as séries. Assim, importa relembrar que todas as terças-feiras pode contar aqui n’A Televisão com o Fora de Série, um espaço em que eu, Jorge Pontes, Marta Miranda, Mónica Guimarães e Tânia Martins analisamos semanalmente uma série que passa ou passou n’A nossa Televisão.

Avancemos, desde já, para a crónica de hoje. Esta semana falamos de Tell Me You Love Me (2007), uma série da HBO que teve apenas uma temporada, mas cujas histórias cativam os apreciadores e interessados pelas relações humanas, em particular pelos dramas conjugais.

Tell Me You Love Me centra-se em quatro casais em diferentes fases das suas vidas e que, por isso mesmo, têm de encarar problemas muito diferentes. Desde o mais jovem casal de namorados, com as inseguranças e desconfianças próprias da idade; aos recém-casados que vivem o drama de tentar ter um filho e tudo o que isso acarreta quando não se consegue; existe ainda o casal que se deixou cair na rotina associada a um casamento duradouro e à existência de dois filhos que acabam por ser o centro das suas vidas, levando à perda de intimidade entre o casal; e, por fim, o casal idoso que desmistifica a sexualidade na terceira idade e serve simultaneamente como exemplo e conselheiro para os três casais, vivendo também os seus problemas.

Assim, estamos perante um produto arrojado e sem tabus, ou não fosse produzido para a HBO, em que temos uma visão global sobre as diversas fases da vida conjugal, em particular os dramas que estão associados à vida a dois. Tell Me You Love Me é Fora de Série. Analisemos as suas componentes em maior detalhe.

Quem é quem?

Já que a série se centra em dramas conjugais, creio que fará mais sentido fazer uma análise por casal, fazendo referência aos problemas que enfrentam, sem menosprezar, obviamente, a individualidade de cada um e sem querer entrar, eu própria, no papel de terapeuta.

Hugo (Luke Kirby) e Jaime (Michelle Borth)

São o casal mais jovem. Fundamentalmente, vivem a desconfiança e ciúmes característicos da insegurança que está associada a relações recentes e cujos intervenientes são pouco maduros. A verdade é que ambos lutam para perceber se querem casar-se ou não, havendo vários altos e baixos nesta luta. E é por essa razão que acabam por entrar na terapia de casais. Questões sobre monogamia e fidelidade são centrais na história deste casal.

Palek (Adam Scott) e Carolyn (Sonya Walger)

Casados há não muito tempo, agora enfrentam a pressão social para terem um filho. Acabam por ceder a esse desejo, mas o processo não é assim tão fácil, levando às questões de “culpa” quando não conseguem engravidar, mas eles tentam, e muito (não se esqueça que a série é da HBO!).  Por outro lado, acabamos também por questionar as motivações, desejos e cedências de cada um na tentativa de alcançar este objetivo.

David (Tim DeKay) e Katie (Ally Walker)

Casados há já muito tempo, têm dois filhos e acabaram por perder intimidade, fruto do comodismo e rotina própria de casamentos mais duradouros. O seu drama e razão pela qual decidem usar a terapia conjugal é a perda ou adormecimento do desejo entre ambos, iniciando uma jornada para tentar recuperar aquilo que era a sua vida conjugal não há muito tempo. Aqui a questão central é a confiança e perda de tabus quanto ao sexo.

Arthur Foster (David Selby) e Dra. May Foster (Jane Alexander)

O casal mais idoso da série, contribui para a desmistificação da sexualidade na terceira idade, mas também, na personagem da terapeuta Dra. May, funciona como centro que reúne e tenta ajudar os três casais referidos anteriormente. Com frontalidade, compreensão e sem tabus, esta tenta contribuir para que os casais mais jovens consigam compreender que aquilo por que passam é comum e normal, mas que, no final, o que é importante e o que manterá os casais unidos são os sentimentos que os unem, mas especialmente, a vontade e trabalho constante para manter a sua união. Cliché? Talvez, mas também real.

Por que não devo perder esta série?

No sentido de compreensão pessoal é uma série a ver. Os interessados pelo comportamento humano, como eu, terão aqui um produto que cumpre a sua principal função, entreter, mas também nos faz questionar alguns aspetos da nossa vida. Como drama que é, foca-se nas pessoas e é aí que está o seu ponto forte. As pessoas, os actores que demonstram uma grande química, em particular entre os casais, o que acaba por funcionar a favor da série e daquilo que se pretende passar através da história. Outro fator a seu favor é o facto de efectuar uma comparação indireta entre todos os casais, enriquecendo o drama, pois não se trata apenas de contar a história de um casal, mas sim perceber em que difere dos restantes. No final de contas, o que se pretende passar é que todos passam pelo mesmo, uns resistem unidos, outros nem por isso.

O que podia ser melhorado?

Do meu ponto de vista, Tell Me You Love Me não é uma série para todos, é sim interessante para um público particularmente atraído pelas relações afetivas e pelos dramas conjugais. Certamente, esta série tem muitos clichés e não tem muito ritmo, mas também contribui para uma maior compreensão das diferenças entre os vários casais, entre os problemas que enfrentam. Sendo produzida pela HBO, espere muito nudismo, sexo e nenhuns tabus, pelo que se é mais sensível quanto a estes aspectos, Tell Me You Love Me não é para si.

Onde posso ver?

Depois de ter sido exibida na TVI, não se encontra em exibição na televisão portuguesa.

Já viu Tell Me You Love Me? Qual é a sua opinião sobre esta série dramática?

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