Fora de Série

Parks and Recreation

As instituições que, desde sempre, foram a personificação do poder despoletaram, desde o início das sociedades, uma sensação de curiosidade em todos nós humanos. De facto, o poder é algo que nos ofusca, que nos deixa maravilhados com as poucas limitações que temos e, sobretudo, o poder de mudar um mundo que constantemente muda para algo menos bom.

É aqui que entra a série que vos trago hoje: uma comédia focada nos assuntos do Governo cujos personagens estereotipados conseguem fazer desta série, uma história simples, rica e leve de se acompanhar, todas as semanas.

Ora bem, Parks and Recreation estreou em 2009, na chamada “midseason”, época que vai de Janeiro a Maio e que, geralmente, serve para os canais estrearem aquelas séries que, por esta ou outra razão, ficaram guardadas na gaveta ou não têm o que é necessário para estrearem logo na rentrée. Parks estreou, então, com uma mini-temporada de estreia, de 6 episódios, mas rapidamente conquistou massas não só pela sua originalidade mas também pelas personagens que nos são apresentadas e pelos diálogos que estabelecem entre si.

Não poderei dizer que Parks tenha um arco que percorre toda a temporada, como How I Met Your Mother, mas, desde o episódio de estreia, a série leva-nos a explorar a belíssima “Leslie Knope” interpretada pela Amy Poehler, feminista, pró-activa, engraçada e interessante, cujo objectivo de vida é construir um parque capaz para todos os residentes em Pawnee, cidade fictícia, possam conviver, fazer desporto ou até ficar a apanhar sol no banco de jardim.

Apesar de, em alguns episódios das primeiras duas temporadas, a série parecer sem ter um rumo definido, a temporada seguinte abre fresca e sem inibições, pronta a deixar o que se passou para trás e construir a sua própria mitologia. O que é certo é que, na sua quarta temporada ainda em exibição, Parks sobrepõe-se a muitas outras séries que são exibidas regularmente.

O seu humor constante mas perspicaz, as constantes críticas às personagens que não passam de estereótipos, as situações vividas por elas cujo fim é abraçar uma causa ou até mostrar a nós que Pawnee consegue ser um local rico, cheio de actividades e bastante pacato, faz de Parks aquilo que The Big Bang Theory está longe de o ser: uma comédia actual sobre os problemas da sociedade com um toque de genialidade, bom senso e humor aceso.

Talvez porque Parks não se perca em querer mostrar-se ao mundo, torna-a numa série leve e descontraída e que faz voltar, todas as semanas, para ver mais esta ou aquela aventura de seis personagens tão diferentes mas que existem naquele espaço para nos fazer rir com as suas one-liners ou mesmo até com os seus opostos.

Embora a vontade de ver séries, por vezes, se perca, Parks consegue superar tal e não posso dizer que fico mal servido nos 20 minutos que constituem o episódio. É para seguir, é para ver com atenção, é para não pensar demais.  As comédias mais simples conseguem ser as que se destacam mais e nisso Parks and Recreation é exímia.

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