Fora de Série

Pan Am

Pan Am

Hoje, o Fora de Série vai apanhar um avião e voar até ao destino que o leitor acha mais exótico/aventureiro/cultural, enfim, um conjunto enorme de vocábulos que só o leitor sabe e pode caracterizar o destino dessa viagem, digamos, virtual.

Dezembro é o mês do Natal e, provavelmente, aquele mais desejado e ansiado por muita gente espalhada por esse país fora. Por um lado, já se ouvem as músicas de Natal nos centros comerciais e as luzes tão características da quadra natalícia enchem já as ruas de cor. No entanto, no reverso da medalha, há uma vontade crescente de quererficar em casa envolto nas mantas a ver televisão ou mesmo até ler um livro acompanhado de uma caneca de chocolate quente. Mas, esta noite, proponho ao leitor que se desfaça de todos estes adereços e viaje comigo até à série Pan Am que teve a sua estreia no passado Setembro e que, infelizmente, não cativou a audiência americana.

Sem dúvida que a década de 60 é uma época bastante rica em acontecimentos muitos deles de cariz sócio-cultural que permitem tecer uma história tão ou mais complexa quanto uma teia de aranha. Pan Am não foge dessa premissa e apresenta-nos a vida de 4 belíssimas hospedeiras de bordo que têm como objectivo conhecer o mundo.

Nota histórica: É importante frisar que, as hospedeiras de bordo desta altura eram as mulheres idolatradas pois este era o único trabalho que as mulheres poderiam realizar. De facto, até para elas serem realmente hospedeiras tinham de passar por teres físicos, isto é, tinham de obedecer a certos parâmetros pré-definidos além de que teriam, obrigatoriamente, de ter cultura e quem soubesse falar mais que uma língua, só saía a ganhar.

Como referi acima, ser uma hospedeira de bordo desta companhia americana era, de facto, uma profissão de elite. E, claro, estando nós em período de Guerra Fria, muitas dessas raparigas, como nos é mostrado na série, eram recrutadas para serem mensageiras da Inteligência Americana que, naquela altura, lutava todos os dias para manter a Guerra Fria fria.

E, claro, subjacente a todos estes factos históricos temos toda uma esfera cultural bem caracterizada pelos valores de cada uma destas hospedeiras de bordo e aquilo que as levou a serem-no.

Apresentação

Personagens

Maggie Ryan (Christina Ricci) – Talvez a personagem que, logo desde início, se mostra bastante imatura e bastante louca. No entanto, ela é a personificação de uma criança cheia de sonhos e que não desiste deles. Uma personagem bastante curiosa que partilha uma amizade especial com Laura.

Laura Cameron (Margot Robbie) – A irmã de Kate e aquela que fugiu do seu próprio casamento para conhecer o Mundo – e, deduzo, uma das melhores decisões da vida dela.

Colette Valois (Karine Vanasse) – A personagem francesa que faz a ligação entre os Estados Unidos da época e a Europa. É aquela personagem com um passado bastante marcado e explorado num dos episódios da série; uma história triste que consegue tocar-nos a todos.

Kate Cameron (Kelli Garner) – Claramente, a irmã de Laura e a mensageira recrutada pela Inteligência Americana para transferir informação e ajudar a manter fria, a Guerra Fria.

Dean Lowrey (Mike Vogel) – O capitão do avião e aquele que não consegue esconder a sua grande afeição por Colette desde que foram a Paris. Uma personagem determinada que não duvida das suas capacidades enquanto capitão.

Ted Vanderway (Michael Mosley) – O acompanhante de Dean em todas as viagens de avião. É a típica personagem vítima de uma acção judicial, acabando por perder o seu lugar na Marinha, mesmo sem ter a culpa de uma situação explorada num dos episódios da série.

Richard Parks (Jeremy Davidson) – O contacto de Kate e aquele que lhe dá muitas das missões a que Kate será sujeita durante o decorrer dos episódios.

Porque não devo perder esta série?

Esta é, talvez, uma das séries pelas quais mais ansioso fiquei desde que vi o trailer de apresentação. Para já, a música transportou-me, virtualmente, para aquela época maravilhosa onde (numa visão algo irrealista) todos os sonhos eram possíveis. Por outro lado, todos aqueles adereços e as promessas de descobrir o Novo Mundo, eram o bilhete só de ida que muitas mulheres procuravam para fugir a uma vida monótona e cuja sociedade as obrigava a ficar em casa porque era o seu dever.

Muito embora as más audiências tenham condicionado a série logo desde a sua terceira semana de exibição, para quem vê e acompanha, a série tem muita história de fundo e sendo ela tão abrangente por vezes torna-se complicado, em 45 minutos, compilar tudo num só episódio além de que, sem notícia de temporada completa, mais complexo se torna o trabalho dos argumentistas.

No fim de tudo, os episódios acabam por ser muito agradáveis de se ver oscilando entre histórias focadas numa só personagem e histórias que relacionam não só as hospedeiras de bordo como os pilotos do avião onde elas trabalham e, claro, por mais cliché que possa parecer, as histórias conseguem interligar-se todas de forma directa ou indirecta quando conhecemos mais a fundo todas as personagens.

Com 14 episódios agendados para aquela que parece ser a única temporada da série, Pan Am revela-se bastante consistente e bastante coerente e, para quem gosta de história (como esta pessoa que vos escreve), a série torna-se ainda melhor quando é envolvida toda a problemática da Guerra Fria e os jogos da Inteligência Americana para conseguir informações.

O que deve ser melhorado?

E por mais classe e glamour que a série possa ostentar, a falta de dinheiro para efeitos especiais mais caro como algumas (não todas!) cenas em pano verde torna limitativo uma série com uma história sem limites. De facto, torna-se incomodativo, em certas situações, um cenário que nós já consideramos falso e que, a cada segundo que passa, somos confrontados com essa mesma falsidade – visualmente, é desconfortável.

Fora isso, e alguma falta de cuidado em alguns episódios em estruturar a história para que o espectador a possa assimilar muito por causa da condensação em 45 minutos de histórias dos vários personagens, torna alguns excertos de episódios demasiado rápidos.

Onde posso ver?

O leitor pode espreitar este produto televisivo nas tardes de domingo da SIC, às 14h45.

Em jeito de conclusão…

Por mais que possa elogiar a série Pan Am e por mais triste que possa ficar quanto ao seu (possível e altamente provável cancelamento) a série já faz parte das minhas favoritas por todas as razões que evidenciei acima. Um produto (algo) inovador e que quis deixar a sua marca na televisão aberta e que não quis ser o novo Mad Men, como muitos afirmavam por essa Internet fora. Serão, até fevereiro e nos Estados Unidos, mais 5 semanas de viagens pelo Mundo e de exploração de uma década que ainda tem muito para contar.

Jorge Pontes

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