Fora de Série

Futurama

Não poderei negar que o mundo das animações é extremamente vasto. Para todas as idades, temos animações que nos fazem rir, chorar, reflectir e divertir e, parecendo que não, em algum ponto da nossa vida elas foram tão ou mais importantes para o nosso crescimento pessoal e cognitivo quanto o sol o é para a manutenção da nossa saúde.

Poderia aqui falar de “Family Guy” ou “The Simpsons”, animações bastante famosas nos Estados Unidos e que indo já para a décima primeira e vigésima quarta temporadas, respectivamente, não mostram sinais de cansaço mas sim sinais de que estarão pela televisão durante mais algum tempo para nos contar histórias de uma sociedade que bem podia ser a nossa revelando todos os podres que lhe estão inerentes.

No entanto, falo-vos de uma outra algo desconhecida na terra para lá do Atlântico que já experimentou um cancelamento mas que renasceu das cinzas há dois anos. Falo-vos, pois, de “Futurama”.

Ora, no episódio piloto olhamos à sociedade de Nova Iorque, em 1999, pelos olhos de “Fry”, um delivery boy sem qualquer ambição de vida. Quando parecia que nada do que veríamos iria ser espectacular, este rapaz cai, inadvertidamente, numa câmara de crioconservação e aí fica conservado durante cerca de 1000 anos. Ao acordar, em 2999, vê que toda a cidade de Nova Iorque está mudada (começando pelo nome – Nova Nova Iorque) e convivem, com humanos, aliens, ciclopes e toda a espécie de seres do fantástico. Além disso, o espaço já não é algo utópico e realizam-se viagens entre planetas e luas e bares intergalácticos como se fosse uma simples ida até Lisboa ou Porto.

Este é, pois, o grande pilar em que se centra a história da série: um mundo futurista que possui os mesmos erros e esteótipos da sociedade actual e que, a cada episódio, é explorado cada um deles com um humor incisivo, irreverente e cativante que faz o espectador voltar para o próximo episódio.

Apesar de “Futurama” não ser uma série excelente, ela revela, a cada episódio, algo novo e interessante que nos faz sorrir. E será, pois, um sorriso matreiro porque é nos segundo finais que a mensagem ou, se quiser, a moral da história está escondida. E quando nos apercebemos dela, não podemos não analisar tudo o que passou, tudo aquilo que experienciámos e voltar, no próximo episódio, para ver que outra nova situação é analisada e criticada.

Apesar de tudo, a série acaba por ficar escondida entre as muitas outras que são exibidas no verão mas não é isso que lhe tira o mérito de ser, talvez, uma das comédias que mais caricaturiza a nossa sociedade mesmo que seja num Futuro algo longíquo onde a tecnologia reina e onde convivemos com os seres mais estranhos que poderiam existir. Entre guerras de planetas e de luas e robôs, “Futurama” acaba por ganhar o coração dos seus muitos fãs e eles não saem, com certeza, desiludidos após cada episódio.

A mitologia é muita, as personagens peculiares e as histórias imensas e apesar do tempo, a sociedade pouco ou nada muda. “Futurama” pega nisso e vence com a novidade, com a irreverência e com o seu humor nunca pondo de parte a moral e a tentativa de querer mudar algum aspecto na sociedade. Para melhor, obviamente.

  • Acrescentar também que “Futurama” é do mesmo criador de “Os Simpsons”, Matt Groening.

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