Fora de Série

Fora de Série: Prison Break

O espaço semanal dedicado às séries televisivas do TV Universo está de volta. Desta feita, para recordar uma série que já não é exibida, tendo terminado em 2009, na sua 4ª temporada. Prison Break é Fora de Série!

Partindo de uma premissa muito interessante, em que Michael Scofield (Wentworth Miller) orquestra um plano para ser detido numa prisão de alta segurança (Fox River), a mesma instituição onde o seu irmão, Lincoln Burrows (Dominic Purcell), aguarda para ver a sua pena de morte executada. O objectivo do plano é salvar Lincoln, fugindo do estabelecimento prisional. Obviamente, existem muitas peripécias para que a fuga se concretize, inclusivamente a inclusão no plano de outros reclusos, bem como o relacionamento de Michael e Sara Tancredi (Sarah Wayne Callies), mas que acabam por enriquecer e muito a história destes dois irmãos.

Na realidade, as quatro temporadas de Prison Break resumem-se a fugas da prisão e depois a tentativa de manter a liberdade. Duas temporadas são passadas dentro de estabelecimentos prisionais e outras duas fora. Acabamos por descobrir que existe um plano que envolve gente importante dos EUA e que visa incriminar Lincoln, e, mais tarde, uma organização criminosa – The Company – que pretende eliminar os irmãos Michael e Lincoln. Neste sentido, podemos dizer que esta série se centra numa fuga constante, cheia de adrenalina e soluções imprevisíveis, como pode ver no trailer que apresento em seguida.

http://www.youtube.com/watch?v=KRgGR3DliDg

Quem é quem?

Michael Scofield (Wentworth Miller) – é um engenheiro com uma carreira promissora e cuja inteligência lhe permite orquestrar os planos que libertam o irmão e lidera a fuga constante de ambos e, mais tarde, de outras personagens. É determinado, corajoso e altruísta, colocando em primeiro plano aquilo que são as necessidades dos outros, em particular da sua família, como é o caso do irmão, e também de Sara Tancredi, a mulher por quem se vem a apaixonar. Os seus objectivos são nobres, mas não deixa de cometer crimes e acções que são questionáveis, daí que faça tudo para salvar as pessoas que ama.

Lincoln Burrows (Dominic Purcell) – é o irmão problemático de Michael. Apesar de ter assumido um papel paternal para com o seu irmão mais novo, Lincoln e Michael acabam por se distanciar um pouco, pois Linc começa a ter problemas criminais, com drogas e que acabam por o afastar também da ex-mulher e filho. Foi condenado à morte por assassinato, mas afirma nunca ter cometido o crime de que o acusam.

Sara Tancredi (Sarah Wayne Callies) – filha do governador, é independente, mas com alguns problemas com drogas, com os quais tenta lidar no dia-a-dia. Devido a estes seus problemas do passado, acabou por apenas ser aceite em Fox River, trabalhando como médica dos reclusos. Consegue ser forte e corajosa, mas também frágil e até dependente, o que está associado ao seu historial familiar. Sara acaba por confiar em Michael e na inocência de Lincoln, e segue-os nesta aventura para provar a injustiça da pena aplicada a Linc.

Eu diria que é em torno deste trio que gira Prison Break, embora existam várias outras personagens que são preponderantes no desenvolvimento da história, como é o caso de T-Bag (Robert Knepper), um recluso mesquinho, e que não olha a meios para obter os seus fins, matando, ferindo e enganando quem quer que seja. Embora tenha uma personalidade muito negativa e que gera ódios, a verdade é que T-Bag consegue, através do desempenho de Robert Knepper, adicionar também uma vertente um pouco cómica à série.

Gostaria também de destacar Gretchen Morgan (Jodi Lyn O’Keefe), que apenas entra na série a partir da terceira temporada, mas que tem um papel e desempenho muito bons, passando de uma mulher vil e criminosa, para uma personagem também um pouco mais cómica e até mais humana. Creio que T-Bag e Gretchen são talvez as personagens que mais mudaram ao longo da série.

Por que devo ver esta série?

O que mais me atraiu para ver Prison Break foi a história interessante e pouco vista na nossa televisão. Um jovem que prepara um plano ao ínfimo pormenor para salvar o irmão da pena de morte e provar a sua inocência. É uma série extremamente rápida, ao nível dos acontecimentos, e particularmente na primeira temporada, em que estamos literalmente vidrados naquilo que está a acontecer… no vai e vem dos planos que Michael Scofield criou e imprimiu no próprio corpo, com uma tatuagem que ocupa o seu tronco.

Com um ritmo intenso, a série mostra também um conjunto de valores que são bastante arrebatadores. A lealdade e amizade entre companheiros, a luta por ideais, abrindo mão daquilo que se tem. Até a inteligência que Michael revela é algo extremamente interessante de acompanhar.  Os relacionamentos que se vão criando também adicionam um âmbito mais humano a esta história, descentrando um pouco dos dois irmãos.

De forma sombria, acabamos por ter também acesso a uma realidade prisional que não é muito explorada na televisão. Por outro lado, ao nível dos actores, têm todos um desempenho muito bom, com a química entre todos eles a ser evidente.

O que podia ser melhorado?

Creio que é indiscutível que a série foi decrescendo em termos de qualidade. A primeira e segunda temporadas foram muito boas, mantendo sempre um ritmo e interesse da história elevados. Porém, com a tomada de decisões relativamente ao destino de uma personagem em particular (Sara, cujo destino foi corrigido na 4ª temporada), Prison Break acabou por ter a sua temporada mais fraca, a terceira, em que, de facto, foi mais do mesmo. Porém, não acho que a quarta temporada tenha sido muito negativa, mas talvez pudesse ter sido encurtada. Dito isto, do meu ponto de vista, a série devia ter terminado eventualmente numa segunda temporada para que não houvesse repetição de histórias e enredos.

Contudo, importa dizer que no global, a série merece ser vista e apesar de piorar um pouco na terceira temporada, em particular, existem peripécias muito interessantes no decorrer da última.

Foi, do meu ponto de vista, uma série que marcou uma época em que houve o boom ao nível das produções televisivas (com Lost, Desperate Housewives, …) e conseguiu angariar muitos fãs pelo mundo fora. Inclusivamente, importa mencionar que a campanha organizada pelos fãs que visava fazer regressar Sara à série depois de ter estado ausente na terceira temporada, foi bem sucedida e Sarah Wayne Callies voltou para a quarta temporada.

Para concluir, farei referência ao final que foi inesperado e acabou por contrariar as tendências naturais que a televisão costuma ter que aponta para os finais felizes. Surpreendeu-me, de facto, a forma como terminou, mas gostei bastante do telefilme que foi feito na prisão feminina – The Final Break – não obstante ter achado irrealista (quase) nunca ter falhado um plano de Michael, e ali não tenha conseguido alcançar os seus objectivos. Sem dúvida que é natural, nem sempre corre tudo bem, mas achei que aquela não foi a mais desafiadora das ameaças.

Dito isto, não deixe de ver ou rever Prison Break. E para a semana trazemos-lhe mais uma aposta Fora de Série. Não perca!

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