Fora de Série

Diários Secretos de uma Call Girl


“Diários Secretos de uma Call Girl” é uma série do canal britânico ITV2, escrita por Lucy Prebble baseada no blog “Belle de Jour”, de uma verdadeira acompanhante de luxo sob esse pseudónimo, que aborda de uma forma fresca e descomplexada a temática do sexo.

Billie Piper é Hannah Baxter, uma comum jovem britânica oriunda de uma família tradicional de classe média, que debaixo da capa de uma vida rotineira, trabalha como acompanhante de luxo de alto gabarito com o pseudónimo de Belle.

Acompanhando o dia-a-dia frenético de Hannah (ou Belle) que narra (directamente ao público) as peripécias da sua vida privada e profissional, ficamos a conhecer as suas artimanhas, os seus gostos, bem como os seus amigos e clientes, embrenhamo-nos no mundo do sexo profissional e nos seus costumes, problemas e imprevistos.

Tudo sem acusações ou auto-vitimizações. Porque os porquês nem sempre têm que ser difíceis, se os soubermos aceitar.

http://www.youtube.com/watch?v=wj4E3j8d8PI

http://www.youtube.com/watch?v=Fq9Ta8Gkt_o

http://www.youtube.com/watch?v=EFe22HoJ1TM

http://www.youtube.com/watch?v=SUPtxFKYAeo

Personagens:


Hannah Baxter/ Belle (Billie Piper)
– É uma jovem culta, inteligente e bem-falante. Frequentou a faculdade, mas como é algo snob e tem uma inclinação particular pelo “chic” e por tudo o que é caro, acabou por abandonar o curso e enveredou pelo caminho do sexo profissional, como acompanhante de luxo, especialista em fetiches. Mas engane-se quem pensa que sofre com isso. Hannah, ou melhor, Belle, o seu cognome de trabalho, apesar de nunca ter conseguido um outro emprego estável, adora o que faz, uma vez que consegue aliar o que mais gosta numa só profissão: o requinte, sexo e dinheiro, uma vez que ainda é paga divinamente.

Apesar de ser muito apegada ao pai, Hannah é distante da restante família, de quem esconde de forma meticulosa o seu segredo.

Ben (Iddo Goldberg) – É o melhor amigo de Hannah e foi seu namorado nos tempos da faculdade. Como em qualquer série ficcional que se preze, continua apaixonado por ela, apesar de ter uma namorada, Vanessa, de quem está noivo. É o único que conhece a vida secreta de Hannah, o que provoca algumas desavenças entre ambos, uma vez que não concorda com esse seu modo de vida.

 

Gloria White /Bambi (Ashley Madekwe) – Começa como uma aspirante a call-girl, ingénua e despretensiosa, que encontra em Belle uma mentora. Contudo, a sua sede por dinheiro aumenta, o que a leva a trabalhar para Stephanie, a ex madame/senhora (vulgo patroa/angariadora de clientes) de Belle.

Tem um passado marcado pela violência doméstica, os braços repletos de cicatrizes que tapa cuidadosamente para trabalhar e ainda hoje sofre as marcas do preconceito racial. Casa-se com um dos seus clientes, Byron, um aristocrata inglês.

 

Duncan Atwood (James D’Arcy) – é o editor do primeiro livro escrito por Belle, que a pressiona continuamente para que escreva um segundo, dado o sucesso do primeiro. É viciado no trabalho e um assíduo cliente de acompanhantes de luxo.

 

Alex (Callum Blue) – É um médico que Hannah confunde inicialmente com um cliente. Acabam por se apaixonar e iniciam um relacionamento, apesar deste desconhecer a vida dupla de Belle. Quando descobre este segredo da namorada, Alex não consegue aceitar o seu modo de vida e deixa-a. Belle procura outra forma de sustento, mas não consegue porque considera o trabalho “comum” tedioso. Como só se consegue realizar como acompanhante, o namorado não o aceita, ambos seguem caminhos distintos.

 

 

 

Byron Seebohm (David Dawson) – É um aristocrata excêntrico nos modos, na maneira de falar e de vestir, uma vez que procura romper com todos os estereótipos relacionados com a sua condição social. É um dos clientes habituais de Bambi, por quem se apaixona e com quem casa.

 

Razões para ver:

  • Secret Diaries of a Call Girl é uma série fresca e inovadora cuja temática, embora não seja inovadora, pode surpreender, em termos de qualidade, argumento e desempenho. O sexo é abordado de uma forma bastante subtil e elegante. Quase nos esquecemos que este é o tema central da trama, tais são as peripécias que surgem na vida da personagem principal.
  • Billie Piper é perfeita quando fala directamente para a câmara, com olhar fixo e segura de si, como se passaria, a realidade, na relação acompanhante/cliente.
  • Cada episódio é independente dos anteriores. Mesmo os pequenos arcos de história são extremamente subtis e fáceis de apreender.
  • A forma como Belle nos conduz pelo seu quotidiano e nos relata as suas experiências pessoais e profissionais é bastante divertida, num tom de conspiração cómico, que nos leva a não querer perder o episódio.
  • Como os episódios têm uma duração relativamente curta comparativamente a outras séries, é fácil acabarmos de ver um episódio e termos logo vontade de passar para o seguinte, nem que seja pelo insólito que é muitas vezes exposto.

 

A melhorar:

  • Ao focar apenas o lado glamoroso do mundo da prostituição a série mostra-se tendenciosa e algo demagógica. Nem todas as mulheres entram neste mundo de livre vontade, tal como Belle (que o fez porque “adora sexo”) e quase nenhuma aufere dos honorários desta. Os riscos da profissão raramente são focados, e quando o são é de forma incompleta.
  • Apenas Belle é desenvolvida, enquanto personagem. Todos os outros parecem congelar em favor desta, sem história individual, o que acaba por contribuir para a monotonia da série.

Curiosidades:

  • Devido à gravidez de Billie Piper, a segunda temporada da série teve que ser gravada com duplas para o corpo desta.
  • Piper assumiu o cargo de produtora executiva da série, a partir da terceira temporada.
  • A série teve tanto impacto que muitas acompanhantes de luxo por todo o mundo criaram o seu próprio blog, para relatarem o seu quotidiano, tal como Belle, que inspirou a série.
  • Billie Piper e “Belle de Jour” fizeram uma entrevista juntas, entitulada “Billie and the real Belle Bare All”, pouco antes da 3ª Temporada estrear.
  • Está pensada uma adaptação da série para o cinema, ainda sem data marcada.
  • A série é muitas vezes comparada a “Sex and the city”, principalmente pela forma como aborda o sexo. Belle diz que “sexo é um jogo de números. A conta mais complicada sempre foi um mais um”. Exactamente o que Carrie Bradshaw, de “O Sexo e a Cidade” dizia em cada episódio. Londres está para “Diários secretos de uma Call Girl”, assim como Nova Iorque está para “O Sexo e a Cidade”: uma fotografia excelente, cheia de luminosidade, requinte e de gente rica.

“Diários secretos de uma call Girl” é uma série requintada em pormenores e ambientes, dinâmica e ligeira, que embora com falhas, nos faz querer desvendar o submundo da prostituição de luxo, sem cair no escândalo ou no exagero. Apesar das contínuas falhas assinaláveis, mantém uma qualidade suficientemente satisfatória para nos prender. A ver, numa tarde de nevoeiro londrina.

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