Fora de Série

Damages


Terça é dia de Fora de Série. Está o leitor preparado para mais uma viagem pelo mundo interminável das séries? Pegue na mochila, na tenda e numa vara e partamos à descoberta, esta semana, de um dos melhores dramas da actualidade, Damages (“Sem Escrúpulos”, em português).

Numa era onde o drama puro se encontra bastante apagado na televisão americana e onde assistimos à lenta morte do que é a ficção científica feita para a televisão, Damages é a série que se destaca quando falamos de dramas reais com um grande peso intelectual. E se por um lado todo a neurobiologia consegue, ainda, ser um grande mistério e polvilhar as fronteiras da ciência, a série espelha de uma forma soberba a ambição humana onde não interessa o meio desde que se atinja a finalidade pretendida. E para nos deixar com a pimenta na ponta da língua, há um encadeamento de narrativas tão bem feito que o espectador só sabe a verdadeira história quando chega ao fim. Tal como acontece nos filmes, o produtor e o autor ou autores da série só mostram aquilo que eles querem que se veja e é por isto que, por mais que se queira desistir da série, há sempre algum pormenor que faz aquela comichão e que não deixa o espectador descansado até saber o que realmente se passa.

Damages é, pois, uma série lenta. Tudo tem de ser cozinhado a tempo para que, no final, o prato não desaponte e deixe todos de queixo caído. E é nesta premissa que assenta o brilhantismo da série: um caso que vai sendo desenvolvido ao longo de 13 episódios e uma outra narrativa relacionada com as personagens que vai, igualmente, sendo explorada. E por mais inútil que a possamos achar naquela altura pois não junta nada ao caso, esta narrativa torna-se fulcral no final da temporada quando todas as pontas são ligadas e vemos todos os interesses e todos os pormenores que os produtores e escritores da série têm escondido ao longo da temporada.

O leitor acha confuso? Eu compreendo que ache. Aliás, cada nova temporada começa de uma forma tão confusa e tão, digamos, sem jeito que a vontade de desistir é imediata. Mas se há coisa que, pelo menos para mim, é factor determinante para acompanhar uma série é o mistério que está inerente à própria narrativa. E a série sabe dosear o mistério com o factor surpresa e, ainda para mais, concilia de forma magistral todo o passado das personagens e procura fazer com que alguma acção do passado tenha influência na personagem do presente.

Ainda está confuso? Acompanhe-me por mais um pouco e não se vai arrepender.

Apresentação

Admito que Damages é uma série chata porque é necessário alguma cabeça e paciência para a acompanhar mas se o leitor estiver mesmo disposto a ver, não se arrependerá e por mais que pense naquilo que vai acontecer, a série arranja sempre forma de ser imprevisível.

Season 1

Season 2

Season 3

Season 4

http://www.youtube.com/watch?v=gpZNMqHHYB4

Personagens

Outra das características da série é o seu brilhante elenco. Além de mudar de temporada para temporada, as personagens evoluem de uma forma soberba à medida que avançamos nas temporadas e passamos de pessoas que eram completamente inocentes para pessoas sem escrúpulos e que precisam deste thrill para continuar a viver.

De todo um leque de personagens, destaco as duas principais e aquelas que são o motor da série.

“Patty Hewes” (Glenn Close) – “A” advogada mestre da série. É ela que agarra nos casos contra as grandes empresas e move mundos e fundos para conseguir ganhar. Se tiver que matar alguém, ela mata. Se tiver que rebentar com uma casa, ela rebenta. Ela não quer saber de mais nada a não ser ganhar e talvez por isso a sua personalidade seja bastante forte e responda a todos aqueles que a contradizem.

“Ellen Parsons” (Rose Byrne) – A “aprendiz” de Patty. Digo “aprendiz” porque em todos os episódios observamos uma luta constante entre a pessoa que é e a pessoa que Patty quer que ela seja. Na verdade, ela acaba por se render ao seu novo eu e enfrentar todos os obstáculos dos casos com a sua mentora. E, claro, sendo vítima de uma conspiração, esta mudança de personalidade é mais que necessária se ela quiser viver.

Porque não devo perder esta série?

Como disse ao leitor acima, a série é um mundo e fecha o seu ciclo ao fim de cada temporada. Embora nos deixe a matutar sobre o arco principal, o caso é encerrado e tudo aquilo que, no início, deixava o espectador confuso, começa a fazer sentido e não se deve espantar se ficar de boca aberta.

Para além disto, a série mantem um nível de qualidade bastante elevado e deixa o espectador sempre com vontade de ver o próximo episódio.

O que podia ser melhorado?

Talvez a única coisa negativa que destaco na série é mesmo a forma como o caso se desenrola, isto é, por vezes e como aconteceu na segunda temporada, o caso tornou-se demasiado complexo porque os argumentistas quiseram juntar muitas variáveis que, no fim, não tiveram o desenvolvimento e o desfecho esperados.

Além disso, por haver um caso para um conjunto de 13 episódios, a série tende a “encher chouriços” em alguns segmentos o que não a favorece especialmente se quer que o espectador continue a acompanhá-la.

Onde posso ver?

No AXN Black, todos os dias, às 13h07 e às 19h45.

Encontra-se em exibição a segunda temporada.

Curiosidades

  • A série teve o seu final no ano passado, ao 13º episódio da terceira temporada. O canal FX que, na altura, tinha os direitos da série terminou todo o arco narrativo que estava a acompanhar o espectador desde a estreia da série em 2007. Acabando por ser cancelada, Damages despediu-se de forma satisfatória dos fãs e, muito embora, muitas campanhas a pedir a renovação tenham aparecido pela Internet, o canal não arredou pé da sua decisão. No entanto, e para espanto de todos, a empresa DirecTV, uma empresa de subscrição de canais de televisão via satélite, acabou por a renovar para duas temporadas de 10 episódios cada estando, actualmente em exibição, a sua quarta temporada.

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