Fora de Série

Conta-me Como Foi

Seja muito bem-vindo ao Fora de Série desta semana.

É apelidada por muitos como a melhor série portuguesa de sempre, eu prefiro dizer que é uma das nossas melhores criações, – ou adaptação, neste caso, já que o original é espanhol, e dá pelo nome de Cuantáme como Pasó -, digo “prefiro”, porque nestas coisas das séries é muito difícil fazer comparações com produtos tão diferentes. De séries históricas, é certamente a melhor. No conjunto, já se sabe, depende dos gostos de cada um.

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«Conta-me como Foi», estreou em 2007, mais concretamente no dia 22 de abril. Entre os atores, destaque para Rita Blanco, Miguel Guilherme e Catarina Avelar.

A ideia, e diga-se, bem conseguida, da série, é retratar o Portugal pré-revolução de abril de 74. Começa em 1968, com um ritual, hoje banal: a compra do televisor lá de casa. Numa altura em que a televisão tinha pouco mais de 10 anos de existência, era o meio predilecto  dos protugueses, e um verdadeiro acontecimento, dado o elevado custo do aparelho para a época em questão. António trabalha no ministério das finanças e na tipografia do Eng. Ramires; Margarida é , tal como a maioria das mulheres nesta altura dona de casa, mas uma dona de casa que se quer tornar independente financeiramente do marido. Hermínia é uma mulher de família, conservadora e que gosta pouco das chamadas “modernices”. Quanto aos filhos, Isabel, é sonhadora e um misto de conservadorismo no papel da mulher na sociedade e sentimento de independência. Toni, é o filho do meio, tem 18 anos, está a um passo de entrar na universidade, tem a rebeldia típica da sua idade. Acaba por desistir do curso de Direito, ingressando no trabalho na construção civil. O filho mais novo de Margarida e António é Carlitos, inventa muito e tem tendência para armar confusões à família.

Um dos aspetos que mais aprecio na série, é como tudo está montado, a minúcia nos detalhes, o facto de nada do Portugal de então passar ao lado da equipa que produziu a série, faz dela a melhor e menos maçadora – um dos grande problemas que, normalmente, as séries de época têm –  que se fez no nosso país. Destaco o episódio “Morte Natural”, como o melhor de toda a trama.

O pior aspeto da série é a forma como o 25 de abril (não) foi abordado. Foi um fim indigno duma série que merecia bem melhor. Acabar com a notícia do 25 de abril e nada mais, é muito pouco. O lado positivo, é que brevemente chega a sua sequela, intitulada «E Depois do Adeus» e que aí sim, teremos este episódio da nossa história bem abordado, isso sim, sem a família Lopes e companhia, mas com novas personagens e cenários distintos. A história não se apaga, e o «Conta-me como Foi» fê-la.

O Fora de Série, regressa na próxima semana, com mais uma análise. Até lá!