Falar Televisão

«Vale a pensa sonhar» e assistir!

Aí está a novela onde “vale a pena sonhar”. Chegou ontem a nova produção da SIC e, para espanto meu, a novela surpreendeu na estreia; não falo da sua qualidade, mas da audiência. Em relação a isso, já lá vamos. Comecemos, sim, pelo início de «Dancin’ Days».

Não gostei nada do genérico. Na hora, achei-o horrível. Já o voltei a ver, tentei perceber, achei-o melhor, mas mesmo assim, não me fascinou! Estava muito expectante e, se calhar, o problema foi esse: quanto mais alta foi a expectativa, maior foi a queda! O genérico seguiu muito a linha dos genéricos das «novelas das 9» da Globo: minimalistas, simples e com um conceito pouco elaborado. A linha é a mesma, mas este ficou mais pobre! Não digo que o genérico não deu trabalho, mas saiu algo pouco criativo. E como o genérico está todo em tons de amarelo, ficou monótono (com umas letras exageradamente grandes e cheias de brilho). Em relação à música «Um Lugar ao Sol», gosto e tem a ver com a história principal.

O primeiro episódio foi todo ele centrado nas protagonistas. Dos restantes núcleos, nada se viu. E faz sentido. Apesar de, habitualmente, quererem mostrar grande parte dos núcleos logo no início, nesta novela não fazia sentido. Se formos a ver, a história dos restantes núcleos da novela só se desenrolam na atualidade e a novela começando há 16 anos atrás (e evoluindo até aos dias de hoje), os outros núcleos não podiam aparecer! No 2º episódio, em que a história já se desenrola nos dias de hoje, é que deverão começar a surgir os restantes núcleos.

Deste primeiro episódio, há a destacar a brilhante interpretação de Joana Santos. Depois da «Diana» de «Laços de Sangue», a atriz voltou para mostrar que é a das melhores atrizes da sua geração! Esteve irrepreensível, deu um show de representação, agarrou todas as cenas. A Soraia Chaves também encaixou na novela (anteriormente, na sua participação especial em «Rosa Fogo», já tinha mostrado que podia abraçar o registo novela), apesar de, no início, estar com uma postura demasiado cinematográfica. Alexandre de Sousa não surpreende; está num registo que já vimos tantas outras vezes! Da estreante Joana Ribeiro, ainda é cedo para avaliações.

O primeiro episódio passou muito rápido, não só pela sua duração, como pelo desenrolar da história. Os anos sucederam-se num ápice, tendo avançado a história 16 anos. O mote da novela, que poderia durar uma série de episódios, não foi usado para «encher chouriços»; e esse é o principal fator que faz prender uma pessoa ao ecrã. Ninguém está para ver em cinco episódios o que pode ver em apenas um! No primeiro episódio de «duração normal», há a destacar (pela perfeição ou emoção) a cena do acidente, a «Júlia» em tribunal, a conversa entre a «Júlia» e a «Raquel» na prisão, o parto, a «Júlia» a fazer frente à reclusa que lhe deita o comer ao chão (papel de Carla Vasconcelos), a despedida da «Júlia» e das suas «colegas» na sua cela quando sai da prisão e as cenas seguintes, quando a «Júlia» faz a sua caminha até à liberdade.

Os diálogos são bons. Pedro Lopes está de parabéns. Afinal, tendo ganho o Emmy Internacional com «Laços de Sangue», não poderia desapontar! Houve cenas que não emocionaram só pela interpretação, mas pelo texto que fazia o telespectador envolver-se. Mas não sei até que ponto é que, neste remake, os diálogos da versão original são aproveitados… ou só a história em si é que é tida em conta? De qualquer das formas, creio que Pedro Lopes tem liberdade para escrever os seus próprios diálogos. E até nas cenas que mostraram dos próximos episódios, apesar de curtas, houve diálogos que «saltaram à vista». E alguns fizeram-me crer que são atuais!

O primeiro episódio de «Dancin’ Days» surpreendeu. Não contava que a novela tivesse uma audiência altíssima, apesar da promoção. Mas, afinal, a novela chamou os telespectadores para si, tendo sido o programa mais visto do dia, com 14,5% de rating e 29,9% de share («Louco Amor» da TVI, em 2º lugar, com um episódio «especial» e alargado, fez 14,5% de rating e 30,6% de share). Foi uma estreia auspiciosa, tendo sido a melhor estreia de uma novela portuguesa na SIC. Veremos como será a «batalha» nos próximos dias, mas se a novela mantiver a linha da anterior coprodução entre a SIC e a TV Globo, «Laços de Sangue», a concorrência não vai ter vida fácil!

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