Falar Televisão

Televisão Pública em foco

Depois da saída, há cerca de três meses, de José Fragoso para a TVI, a responsabilidade dos conteúdos e programação da estação pública ficou a cargo de Hugo Andrade, que até então assumia as mesmas responsabilidades na RTP Memória. Depois de ter dado as primeiras impressões, esta semana, sobre o que pretende para o futuro da estação pública, podemos iniciar uma discussão precoce daquilo que se verá ser mantido e/ou alterado naquela que é a mais antiga estação de televisão portuguesa.

A partir das declarações de Hugo Andrade o que podemos prever é uma aposta segura na continuidade daquilo que até aqui foi feito. A ficção parece ser um dos fios condutores daquilo que será a inovação da televisão pública, não que hajam telenovelas “empilhadas” uma atrás da outra, bem pelo contrário, o novo diretor de programação da RTP defende a decisão de José Fragoso em apostar pela diferença e, por isso, discorda de um prime-time com telenovelas mas acrescenta que o formato deve existir na oferta da estação onde desempenha funções, daí que seja favorável à ficção nacional ao invés das telenovelas brasileiras que ocupam lugar na atual oferta. Também novas temporadas das séries do passado com algum sucesso serão para manter, tal como a exploração de novos conteúdos na área da ficção, desde logo a continuação na produção de séries históricas e em dar oportunidades ao talento dos novos atores.

E é no talento que reside a preferência do irmão de Serenela Andrade, também profissional da RTP. É, tal como Fragoso defendia e Andrade parece concordar, a inexistência de formatos que desrespeitem a condição humana e que ridicularizem as emoções que faz da RTP uma estação pública de qualidade, que menospreza o resultado e glorifica o talento e a qualidade. Deste modo, não há espaço no primeiro canal de televisão português para reality-shows e outros formatos que, apesar de populares, não reúnam condições de respeito pela dignidade humana e qualidade de conteúdo.

É desta forma que nos é apresentado o futuro daquela que ainda é a estação de televisão do Estado português. A uns parecerá bem e a outros uma ridícula forma de menosprezar as fracas audiências conquistadas pelo canal, ainda assim e na minha humilde opinião, trata-se de um bom plano para aquela que afinal é a estação responsável por “agradar a todos”, ou pelo menos, oferecer a diversidade suficiente para atingir as preferências do vasto e diferenciado público que, mensalmente, contribui para o sustento da estação pública de televisão. A aposta na diversidade da ficção e na negação de formatos que se assentem na polémica e na utilização desapropriada das emoções humanas, sugere-me uma televisão com uma continuidade naquilo que é a fraca adesão do público, mas com uma qualidade e diversidade que são necessárias no panorama televisivo português. É tempo de “negligenciar” os resultados audiométricos e arriscar numa oferta mais diversificada, e já que os canais privados, enquanto canais comerciais, são forçados a atentar nos resultados obtidos, ao menos que a estação pública inicie esta tendência na diversidade e na aposta da qualidade ao invés do resultado.

  • O Que tenho a dizer é que os grafismos da RTP são péssimos comparando com outros utilizados noutros países da europa.
    Outro ponto é que é totalmente descabido continuarem a apostar em ficção, uma ficção sem audiência e que não dá dinheiro. Os contribuintes pagam para ter TV pública de qualidade e com audiência e infelizmente falta audiência. Talvez se aprofundassem um pouco mais na ideia de um privado para obter facturação e atrair público, em vez de manter a imagem habitual de TV pública europeia.Quando tento mudar para a 1 ou para a 2, vejo horários mal organizados e ”ponha-se o que couber” – Parvoíce. Por exemplo: O QQSM já está em exibição há anos e não recebe facturação nem audiência. Então para quê mantêm-la no ar se ninguém vê? Outro exemplo é A Praça Da Alegria. Um programa com audiência, mas sem facturação. O Que custa terem um espaço em que recebam chamadas para dar dinheiro e receber dinheiro?Enfim

    • Vitor Carvalho

      Luis, a RTP nao se trata de uma estaçao comercial, dai a desnecessidade de um passatempo no programa matinal, por alguma razao os contribuintes pagam para o serviço publico de televisao. Certamente ja reparou que os intervalos na RTP sao bastante reduzidos face as estaçoes privadas.
      Quanto a tudo o resto que refere, estou totalmente em desacordo, os grafismos da RTP podem nao ser os melhores, ai dou um desconto, ainda assim a aposta da RTP nao tem de visar o resultado, como escrevi na cronica, mas sim a qualidade e, sobretudo, a diversidade. Quanto ao que disse acerca da ficçao sem audiencia, nao e verdade, falo por exemplo de series como Maternidade, Pai a Força e Conta-me Como Foi, series de qualidade e com uma audiencia satisfatoria.
      (Peço desculpa pela falta de pontuaçao!!)

/* ]]> */

Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. mais informações

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close