Falar Televisão

RTP, a Rutura do Triunfo Público

Falar_Televisao 2012

Falar_Televisao 2012

RTP, a estação televisiva que prometeu mostrar novos mundos ao mundo com a sua primeira caravela, Vila Faia, encontra-se agora no Cabo das Tormentas, sem saber se o conseguirá dobrar ou não. O decréscimo no que diz respeito à dimensão da sua frota de produtos televisivos é cada vez mais notável, e isto devido aos múltiplos e sucessivos naufrágios que se sucederam ao longo dos últimos anos.

Séries, filmes, telefilmes, sitcoms e telenovelas são só alguns exemplos dos produtos televisivos que a única estação de televisão pública portuguesa tem vindo a produzir e realizar desde o seu nascimento, em 1957. Durante já 56 anos, milhares e milhares de famílias portuguesas puderam contar com mais um membro na família, a RTP, sempre disponível a informar-nos, entreter-nos e fazer-nos rir, isto com programas de sucesso como a Praça da Alegria, sínteses noticiosas como o Telejornal ou formatos de entretenimento como o Quem quer ser Milionário e Estado de Graça, mas também com séries que deixaram saudades a todos nós como Duarte e Companhia, Bastidores, Verão Azul ou A Minha Sogra é uma Bruxa.

Passados 25 anos do aparecimento daquele que já foi chamado de «Canal 1», a primeira estação televisiva portuguesa decide investir fortemente na ficção nacional e surge então Vila Faia, a primeira e também última (se tivermos em conta o remake feito em 2008) telenovela portuguesa da RTP. Escrita por portugueses, feita por portugueses, feita para portugueses. Seguiram-se outros grandes sucessos como Origens, Cinzas ou Roseira Brava, sempre com o apoio incondicional de grandes nomes como Francisco Nicholson e Nicolau Breyner, profissionais de uma notabilidade monstruosa e detentores de um sucesso colossal.

No entanto, e porque nem tudo é um mar de rosas, a RTP sofreu nos últimos meses uma queda abrupta de audiências. Contra esse derribamento a RTP muda, também abruptamente, a sua programação diária. Sinais de Vida, uma série de 80 episódios, é então concebida para nos mostrar a rotina de médicos, enfermeiros e veterinários. Porém, e porque essa é a única rotina a que assistimos todos os dias, Sinais de Vida obtém resultados que rondam uns míseros 5% de share. Outros investimentos foram feitos, outras séries são emitidas, mas nem por isso a ficção nacional da RTP é recompensada com carinho do público ou com a projeção e publicidade da comunicação social. Outros atores foram contratados, outros autores empregados, mas nem por isso Sinais de Vida vê a sua popularidade crescer. Sinais de Vida é, para mim, uma série notável, gravada, como tantas outras, a um ritmo alucinante. Todavia, com um texto bem escrito e uma produção cuidada e um elenco insigne. É sim, na minha livre opinião, emitida numa altura inconveniente.

Agora pergunto-me eu: conquistará a RTP o território e prestígio que o nosso pais conquistou noutros tempos ou revelar-se-á um autêntico Titanic?

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