Falar Televisão

Rendidos à filosofia de Sócrates

Falar_Televisao 2012

Chegou, viu e venceu! E é sobre a adaptação da frase alegadamente proferida por Júlio César que José Sócrates pode definir a sua primeira entrevista depois de ter perdido as eleições e ter partido para França. Politiquices à parte, o antigo primeiro ministro mostrou estar em grande forma televisiva. O Fim do Silêncio foi isso mesmo, a falar sem dizer nada, bem ao jeito que sempre nos habituou, Sócrates foi o melhor e pior entrevistado que os jornalistas da estação pública podiam ter. Sempre de sorriso no rosto.

Capaz de fugir as perguntas mais incómodas com demagogia e a colocar o dedo na ferida, o antigo líder socialista limpou os seus adversários e arrasou o Presidente, dizimou o maior pasquim português e ainda descartou responsabilidades na bancarrota portuguesa. Sócrates trouxe a lição bem estudada e deixou a descoberto as fragilidades dos dois entrevistadores. O que até começou bem, nem tarde nem no fim se endireitou. Vítor Gonçalves  e Paulo Ferreira não estavam bem preparados. A atropelaram-se mutuamente, com alguma displicência e até ingenuidade, Vítor Gonçalves amedrontou-se e Paulo Ferreira que além de diretor de informação é editor de economia engasgou-se e enganou-se repetidamente nos números que Sócrates trazia na ponta da língua. Sem presença em antena, e sem know how do que é o audiovisual ao lado do apresentador de De Caras, os dois moderadores colocaram-se diversas vezes fora do tempo jornalístico  E no meio de tantos jornalistas que compõe esta casa, não havia ninguém melhor e mais bem preparado? O povo português merecia e Sócrates também.

A entrevista do antigo primeiro ministro foi o programa mais visto da televisão portuguesa. Alavancou para o melhor share e rating do ano o Telejornal e ficou à frente do marasmo que se instalou em Portugal que coloca Dancin’ Days e Destinos Cruzados invariavelmente nos primeiros lugares das audiências. A verdade é que foram mais de um milhão de portugueses a assistir as respostas de Sócrates  um número muito superior aos signatários de um petição que fez correr muita tinta. Futebol e novelas à parte, os portugueses provam que nem só de lixo se entretêm e que quando são chamados a ver assuntos sérios, os telespetadores marcam presença. Resta agora esperar  para ver como se comportam os espestadores perante a estreia do socialista como comentador numa televisão em que o jornalismo é uma caricatura de si próprio.


Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. mais informações

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close