Falar Televisão

Quem somos afinal, Portugal?

Recentemente, num modesto convívio com pessoal amigo numa das esplanadas da zona onde habito, veio à tona falar de televisão. O plasma que maioritariamente tinha a função de entretém aos clientes do bar, transmitia, naquele exato momento, o programa «Somos Portugal» na TVI. As opiniões e críticas fizeram-se sentir e achei oportuno trazer o debate até aqui, expressando a minha opinião, por mais que chovam críticas sobre a presente crítica que aqui exponho.

O slogan da estação de Queluz de Baixo já é reconhecido pela quase totalidade dos portugueses: “Juntos criamos o futuro”. Um slogan forte que o canal procura atingir com a sua programação. Chegar perto dos espectadores é um lema que pretende alcançar, afirmando assim a sua marca no mercado televisivo. Surge então, desta forma, o programa «Somos Portugal» com o intuito de percorrer o país de norte a sul com os rostos que dão vida à estação. “Até aqui, tudo bem”, como se diz na gíria dos nossos tempos. Mas o funcionamento e a essência de programas deste tipo já cansa.

São grandes os pretextos para as emissões em direto, as temáticas divergem e os rostos intercalam-se. Seja o Carnaval, seja o Verão, o chocolate, o futebol, o açúcar… tudo é motivo para festejar e animar o público que acompanha o programa. A base de programação é a mesma, só muda o cenário, os rostos e claro, o tema. De resto, em todos os programas, as tardes inteiras são recheadas de músicas populares que já “enjoam” grande parte do público, essencialmente a faixa etária jovem.

Apesar de ser um programa de sucesso comparativamente aos resultados audiométricos da concorrência, as quatro horas apresentam-se como conteúdo indigente, protagonizados por um trio de apresentadores variável. Porém, quando em “conversas de café” chega aos ouvidos o nome do programa que ocupa as tardes de Domingo, não são só as “pimbalhadas” que se fazem ouvir de forma negativa. Nuno Eiró também é alvo de crítica: as suas brincadeiras são para muitos “algo sem graça” e por vezes as suas intervenções são consideradas “indecentes”. O que é certo é que entretém, mas se analisarmos em concreto as opiniões a que o apresentador é alvo podemos considerar algumas nitidamente excessivas em que “mais valia estar calado”.

A cultura e o entretenimento são aspetos que a televisão deve ter em conta. Defendo a sua existência e a sua importância na programação generalista, mas não seria rentável ir ao encontro dos portugueses de outra forma? Questiono-me acerca do título do programa que me faz interrogar em que país estou. Será que Portugal é isto mesmo? Um espelho da música pimba e dos programas inerentes à divulgação do que é realmente a nossa cultura ? Quem somos afinal, Portugal?

Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. mais informações

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close