Falar Televisão

Quem canta, seus males… espanta?

Aparentemente não foi esse o caso, pelo descalabro que foi ontem a estreia de Canta Comigo, na TVI.

Já tinha lido as notícias relacionadas com o programa, antes de estrear, e até tinha achado o formato engraçado, pois pensei que ia estar perante uma versão mais moderna do Cantigas da Rua. Os sucessivos louvores dados a Rita Pereira pela suas capacidades de apresentação ainda me suscitaram mais a curiosidade.

Os resultados, contudo, não mentiram, e o programa não se sagrou sequer nos três mais vistos da noite de ontem.

A concorrência pode ter desempenhado um papel importante no insucesso desta estreia, mas não acredito que tenha sido apenas culpa da “música de Carnaxide”.

Chegadas as 21h44, sensivelmente, fui surpreendido pela negativa: uma Rita Pereira desconfortável, nervosa, com um vestido inapropriado para o “clima” do programa, emergiu num palco desprotegido, onde  o vento de Albufeira se fazia claramente sentir. O grupo de jurados também não me pareceu à vontade inicialmente. Pareceu-me, aliás, um desleixe enorme da produção a “mesinha” onde Luís Jardim, Fátima Lopes e Rita Guerra estavam sentados, quase que arrumados a um canto.

No decorrer do programa, foram várias as situações que me deixaram de boca aberta: desde o facto de Rita Pereira estar sempre hesitante e a olhar para os cartões; o inesperado número de dança criativa sem nenhum nexo ou contexto, que me fez rir um bocadinho por dentro; a incoerência do júri na análise das performances, em que tínhamos uma Rita Guerra a repetir vezes sem conta “temos afinação neste programa” e um Luís Jardim a deixar sem esperança a maioria dos concorrentes, dizendo que o mercado musical nacional é ingrato e afins.

O mais ridículo mesmo, foi a mudança repentina de opinião de Luís Jardim, a meio do programa: na primeira metade, criticava afinações, posturas, estilos, entre outros, da forma dura e fria que todos conhecemos. A partir da segunda ronda de actuações,  temos um Luís encorajador, que desculpa os concorrentes por não serem bons em todos os estilos de música e, vejam só, a dizer que o talento ali era de noventa, numa escala de zero a cem!

Passando ao fundamental, os concorrentes (é triste quando um programa é tão mau que as análises das performances passam quase para segundo plano), foram apurados à próxima fase o Edmundo Inácio e a Tatiana Pinto. Na minha opinião, duas ótimas escolhas, e parece que por uma vez num programa, júri e público estiveram de acordo. Destacaram-se para mim ainda Marcos Estima (talvez com um pouco de auto-estima a mais!) e Sara Guerreiro, que apesar de criticada pela sua linearidade vocal, deu provas de poder ir mais além.

Em jeito de conclusão apenas me resta dizer que  a TVI ou se compromete de facto com o projeto e não o trata como um “simples entretenimento barato de Verão”, ou mantém a actual produção, mas arrisca-se a assistir ao declínio progressivo de um programa que tinha potencial para muito mais.

O primeiro programa está disponível na íntegra para visualização  aqui.