Falar Televisão

Potencialidade da Televisão

Sim, a televisão é feita de audiências e necessariamente, estações comerciais como a SIC e a TVI têm de “encher os olhos das grandes massas” que lhes devolvem uma grande audiência. Ainda assim pergunto-me, na pura da minha ignorância acerca do assunto, se não é tempo de diversificar e em vez de captar grandes audiências em certo tipo de formatos ou horários, apostar em conteúdos com uma audiência satisfatória e dessa forma, diversificar a televisão portuguesa.

Certamente que as pessoas detentoras de conhecimentos gerais sobre audiências, conteúdos e marketing televisivo me devem considerar um ignorante ao escrever que a aposta na diversificação ao invés do resultado é uma solução. Não rejeito a minha ignorância, mas assumo-me como um telespetador imparcial, sem “vícios” televisivos e que mais do que de programas polémicos, gosta de programas de qualidade. A verdade é que o futuro da televisão, agora em Portugal como já em muitos outros países, passa pelos canais por cabo, onde a diversidade reina e a ganância audiométrica escassa. É tempo das generalistas portuguesas pararem de lutar por resultados superiores e apostarem em conteúdos diferentes, únicos, exclusivos, dignos de uma televisão de qualidade.

Chegou o tempo, penso eu, de se apostar em informação desenvergonhada, debates públicos sobre a atualidade sem tristezas ou preconceitos, e claro, com verdadeiros especialistas. A televisão é, tal como outros orgãos de comunicação social o são, e não sou eu quem o diz, estimuladores emocionais e percursores de atitudes nas pessoas. É necessário trazer otimismo, força de vontade, realismo e dinamismo à televisão portuguesa para que o mesmo suceda à população que à assiste.

Vou destacar a informação, como poderia destacar outros conteúdos, mas este marco essencial de qualquer estação de televisão é o que mais necessita, a meu ver, de reformulação. É necessário promover hábitos saudáveis, na vez de destacar as consequências dos maus hábitos existentes. E quando digo hábitos, refiro-me a tudo um pouco: é necessário estimular a economia, informando e educando as pessoas para hábitos de poupança, investimento e trabalho. É necessário ajudar e ensinar a população a “viver em sociedade”, são precisos hábitos de cidadania, de educação, de cuidados de saúde, de deveres e de direitos. É de televisão que estou a falar, sim. É necessário acrescentar à televisão o caráter lúdico-educativo que escasseia. A televisão tem poder para isso logo, para quê desperdiçá-lo?

Ora vejamos: para quê informar vezes sem conta que houve um grande acidente na zona X e que fez N mortos? É isso que se chama informação? Desculpem-me a frieza, mas o que me interessa que pessoas que não conheço de lado nenhum tenham sido mortas por diversas razões que sejam? O objetivo? É a precaução? Então lamento, mas essa precaução não me chega. O que vejo nos oráculos é um forte destaque para o número de mortos ou para o tipo de acidente, não vejo por lá a referência aos cuidados que são necessários para que não se volte a repetir, aliás, nas poucas vezes (quando são casos bastante polémicos) em que se promove a dita da “precaução” e da educação social, esta é posta em segundo plano, quase como se fosse um complemento, quando deveria ser exatamente o contrário. Os acidentes propriamente ditos deveriam servir de exemplo e complemento à educação que se deveria promover.

Se calhar não estamos nem longe, nem perto disto que defendo que seria melhores conteúdos informativos, o mais certo é que nem chegue a acontecer, assim será, se as generalistas não seguirem rumo ao futuro e perceberem que a televisão não deve ser uma competição, mas antes um dos mais importantes e poderosos serviços públicos.

  • Tiago Madeira

    A SIC parece querer delinear o mesmo caminho que a TVI delineou… Parece-me se uma televisao ambiciona ser lider, nao deve ser imitando a lider… pois para isso as pessoas ja tem a lider… Portanto acho que a SIC deveria ir por outro caminho do que começar a produzir novelas massivamente e fazer reality-shows…

    • Acho que a aposta no Peso Pesado foi algo esporádico e penso que a SIC não voltará a fazer outros tipos de reality – show.
      Se a SIC não produzir novelas, o que fará para tapar os buracos do HN? É que já vimos que mesmo que tenham sido desvalorizadas, as telenovelas ainda são uma fonte de audiências.
      É um pouco parvo dizerem que a SIC está a seguir o caminho da TVI apenas por produzir novelas. Nós estamos no mundo latino onde as novelas são o que tapam o HN- No Brasil a Globo não acusa a Record ou Sbt de produzir novelas, porque é que aqui é diferente?

      – 

      Quanto À rúbrica:
      O Telejornal serve para isso mesmo: informar. O que deveria então exibir um programa de noticias, se não mesmo noticias? Acho que não se deve ignorar as ocasiões de acidente. As pessoas necessitam de saber. Acha que devemos ficar indiferentes por exemplo à guerra na Líbia? Não.

      • Vítor Carvalho

        Não sou extremista ao ponto de dizer que devamos ficar indiferentes à guerra na Líbia, aliás, não defendo um programa sem notícias, bem pelo contrário, mas por exemplo, falando agora do seu exemplo, a Líbia, podia fazer-se a notícia da dita guerra e fazer uma pequena análisa, em pleno jornal, sobre as consequências e origens de uma guerra como aquela que por lá acontece, um pouco de inovação aliada à cidadania, percebe o que quero dizer? Espero que sim.

  • dulio093

    Concordo com tudo dito!

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