Falar Televisão

Não há histórias como antigamente

Falar_Televisao 2012

Era uma vez, num tempo não muito distante daqui, um país muito, muito rico (eu disse que isto era uma história), onde um ministro das finanças, de ar muito triste por não saber o que fazer com tanto dinheiro, resolveu a uma segunda-feira anunciar a aprovação do Orçamento de Estado para o ano seguinte.

O povo, indignado com as brincadeiras feitas com o seu dinheiro sai à rua, representado pelo grupo cheio de indignação e pela plataforma «inserir dia de um mês», e lança o «Cerco a São Bento! Este não é o nosso Orçamento.»

O protesto continuava e os movimentos e plataformas passaram das promessas à ação e de entre excessos como fogueiras e bustos nus, o povo avançou sobre a Assembleia e o confronto com a polícia foi inevitável (qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).

Online, as notícias iam-se multiplicando, mas nas televisões nem um rodapé. Estes protestos,cada vez mais frequentes perdem o seu valor notícia que por entre tanta repetição é natural, mas os protestos contra o Orçamento de Estado por si só já o justificariam.

Àquela hora, os três canais de informação discutiam as cem internacionalizações de Ronaldo e o estado do tempo e do relvado do Dragão. Uma discussão estéril, de comentadores de bancada, pouco ou nada preparados para discutir jornalisticamente o desporto.É que afinal de contas, programas de desporto não são entretenimento, são informação.

Simultâneamente, o serviço público era garantido através do Twitter (é uma invenção estranha que ainda não chegou ao nosso tempo) pela grande repórter de televisão, Rita Marrafa de Carvalho, que ia atualizando, através de fotografias, os internautas mais curiosos.

Mais tarde nesse dia, puderam por fim ver, os que assim desejavam, um direto da Assembleia com a mesma repórter, a relatar o que se havia passado – o passado em televisão interessa menos que o presente – enquanto nos canais concorrentes da SIC e da TVI onde a coragem faltou e onde os espetadores ficaram a perder. Não há avanços ou atrasos tecnológicos que corroborem este atraso ou justifiquem um direto tardio.

Indiferentes vivem aqueles, que na era da informação assistem, por falta de alternativas aos quatros canais que continuavam a sua programação novelística e os seus debates («Prós e Contras»), onde diz o povo, que o povo não está representado e os convidados comprometidos.

É no meio de tanta lamentação que a RTP Informação se portou melhor que os concorrentes e garantiu de alguma forma o serviço público que lhe compete e se tornou o herói desta história intemporal. É que ontem, hoje e amanhã, Portugal será sempre Fado, Futebol e Fátima. FIM.

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