Falar Televisão

GfK: a medição da polémica!

Mesmo que eu queira escapar ao assunto do momento, não dá! Em todo o lado há referências à GfK, em notícias e polémicas, quer seja nos jornais, na internet ou na televisão. Não há como fechar os olhos e fazer de conta de que a nova empresa que mede as audiências em Portugal não está em acção e que a mesma não agrada a «gregos e troianos». Reflictamos acerca dela, então!

A GfK entrou em acção na passada quinta-feira, deixando para trás a Marktest. O seu início de actividade veio envolto em grande contestação, por parte da TVI e RTP, estações que se mostravam contra à nova empresa medidora de audiências (que prometia trazer uma forma nova de medir audiências e ser mais actual que a Marktest). Mas bastou que as audiências ficassem disponíveis na sexta-feira (referentes na quinta-feira) para que as posturas se alterassem… ou não! Contrariando o que vinha a ser noticiado nos dias anteriores, a TVI mudou a sua postura em relação à Gfk (esta empresa passou, então, a ser bem vista em Queluz de Baixo), a RTP1 reforçou o seu descontentamento dando-lhe ainda um toque de «revolta» e a SIC manteve-se calada! Porque será?!

Dos valores apresentados ao longo dos últimos dias, a TVI manteve-se na liderança, com a SIC atrás e, longe, surge a RTP1 com a RTP2 distante; agora temos a Subscrição TV de um lado e os Outros de outro. A Subscrição TV (conjunto dos canais do Cabo) ainda vai dando luta aos canais em sinal aberto e o Outros está colado à RTP1; mas, a verdade, é que estes juntos conquistam quase 40% da preferência dos telespectadores, cilindrando qualquer canal português em sinal aberto!

E com estas contas todas feitas, comparando-as com as anteriores da Marktest, a estação que mais se sentiu lesada foi a RTP1. A TVI manteve em alguns horários e noutros saiu-se beneficiada (conseguiu que o TOP3 dos programas mais vistos do dia fossem só da TVI, algo que não acontecia, durante a semana e em dias «normais», há muito tempo!), bem como a SIC (perdeu muita audiência de manhã, mas ganhou ao início da tarde e início da madrugada); pelo contrário, a RTP1 só se saiu prejudicada (a informação, sempre com bons números, líder, ficou com valores irrisórios, bem como «O Preço Certo» ou as novelas da hora de almoço). E, com os valores da GfK, a RTP não se calou na sexta-feira e durante todo o fim-de-semana: notícias, entrevistas e «revolta» demonstrada na internet e nas redes sociais.

Afinal, o que está certo e o que está errado? A verdade é que a RTP, com estas críticas, parece estar a querer dar como certas e absolutas as audiências da Marktest, esquecendo-se que esta empresa foi acusada de ter um sistema de medição de audiências obsoleto e com falhas. E, a GfK, tal como a Marktest, também tem falhas. Há «coisas» a afinar? Há, claro que sim, tal como a Marktest também foi afinando o seu trabalho ao longo dos tempos (quem não se lembra de, no ano passado, a Marktest ter feito algumas alterações que contribuíram para a liderança do conjunto dos canais por Cabo?). E se agora a GfK é «acusada» de estar a prejudicar a RTP1 para melhor justificar a privatização do canal público, também antes se levantaram dúvidas em relação à Marktest dando a entender que esta estava a beneficiar a estação pública precisamente para mostrar que a mesma tinha audiências e não se compreenderia a privatização. Dá que pensar…

Confesso que acho estranhas as audiências dos informativos da RTP1, principalmente quando as comparo com a concorrência (SIC e TVI). Mas, olhando para as audiências de outros produtos da estação, não fico admirado quando vejo baixas audiências: a estação pública estagnou, apresenta (diariamente) produtos velhos e «bolorentos», só atractivos para os idosos! É mais que normal a baixa audiência! E, vendo a SIC e a TVI, a léguas do conjunto Subscrição TV/Outros, também não é de estranhar, tendo em conta que já ninguém suporta ver mais do mesmo há anos, numa grelha que pouco ou nada se alterou (e, separando a Subscrição TV dos Outros, o Cabo continua a reunir a preferência dos telespectadores).

Se as audiências se vão manter assim durante os próximos tempos é uma incógnita, mas agora não adianta «chorar» porque a GfK é a actual empresa que mede as audiências em Portugal (e assim será pelos próximos tempos)! Que as audiências são dúbias, já todos sabíamos, não precisava de ter chegado a GfK… Se as audiências estão mais ou menos perto da realidade do que estavam as da Marktest, é outra questão por responder… Já em relação à polémica do momento, RTP vs GfK, o meu palpite é que os números da estação pública pouco ou nada se vão alterar nos próximos tempos; só resta saber se os profissionais da estação se vão calar ou se a polémica está só no início!

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