Falar Televisão

Golpe de sorte

 “Os comentários online são como as paredes da casa de banho”. A frase não é minha, apesar de a subscrever por completo. No entanto, é a partir de um comentário que li algures na edição online do Diário de Notícias que escrevo a crónica desta noite. Perguntava-se o leitor, face à vitória avassaladora da SIC com a transmissão do jogo de Portugal, que importância tem afinal ter sido a SIC a transmitir o jogo? Respondendo logo em seguida que “nem que fosse o canal ali do Bairro da Belavista” o resultado teria sido exatamente o mesmo. Concordo em absoluto.

Na linha da promoção exaustiva que os operadores nacionais tão bem nos habituaram, a SIC não perdeu tempo e no dia seguinte à transmissão do Portugal x Espanha apressou-se em anunciar que este tinha sido o programa mais visto da televisão portuguesa nos últimos oito anos. Tudo isto, carregado com um enorme simbolismo do próprio canal e fechando com a “cereja no topo do bolo”, o logótipo comemorativo do 20º aniversário do canal, que se festeja este ano.

Para quê? Se há produto onde a SIC se deve vangloriar dos resultados, a transmissão de jogos, ainda para mais de jogos da seleção, não são, de todo, o melhor exemplo. Era óbvio que o resultado seria avassalador, quer o jogo tivesse passado na SIC, que tivesse passado na RTP2. A promover, o golpe de sorte e o trabalho conseguido na negociação dos jogos, que permitiram à estação de Carnaxide a transmissão do último jogo com as cores nacionais por terras da Ucrânia…