Falar Televisão

Estou viciado

Ao longo de mais de 10 anos de ficção em português na TVI e, mais recentemente, também na SIC, todos nós fomos guardando na nossa memória o nome daquelas personagens marcantes, as deixas que passaram a ser máximas da nossa vida, o genérico que não nos saiu da cabeça. Pondo de parte as implicações económicas, a reposição de novelas, habilmente feita pela Globo há já várias décadas, serve, em parte, para reavivar essa memória que todas as tramas despertam nos espectadores.

A estação de Queluz de Baixo começou a fazê-lo há um ano. Com o pé esquerdo, diga-se de passagem. Ilha dos Amores foi das mais enfadonhas novelas mais alguma vez feita na era Moniz. Mas Tempo de Viver, no ar desde junho deste ano, tem colmatado o tom demasiado razoável da antecessora. A trama da inesquecível Maria Laurinda (Margarida Vila-Nova) é um dos melhores produtos de ficção alguma vez feito em Portugal. A anos-luz daquilo que se produz agora, com interpretações genericamente fracas (irremediável no nosso mercado) mas com um argumento digno de uma qualquer série de excelência norte-americana. Grosso modo, um produto bastante inteligente que (quase) nem parece uma novela.

A decisão, por parte da TVI, de repor Tempo de Viver nas tardes da estação foi boa. Muito boa. Eu, pelo menos, já estou viciado. E ainda nesta segunda-feira, segundo a GfK, pelo menos 27% das pessoas que via televisão àquela hora também partilhava do mesmo vício do que eu. Saudosista como sou, gosto de rever uma das melhores novelas da década. E lamento que o horário nobre destes dias seja francamente mais pobre do que o horário das 15h.

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