Falar Televisão

Ensaio sobre a derrota

Se há histórias incrivelmente previsíveis, a história entre Portugal e o Festival da Eurovisão é o melhor exemplo dessa previsibilidade. Se fosse um romance, seria comparável a uma daquelas histórias de amor que acabam em tragédia e com um dos protagonistas e chorar pelo desprezo que o amado lhe retribui. Se fosse um policial, Portugal seria, sem dúvida, o mau da fita, o serial killer que pratica um autêntico assassinato, a cada ano, no palco do festival, com a figura da “organização” como o polícia bom que não perde tempo em aniquilar o mau da fita português. Se fosse uma biografia, a data da morte, essa, era sabida logo à partida: o dia da semifinal em que o nosso país participa.

Mas não. A história da participação portuguesa acaba por ser uma autêntica novela mexicana. Previsível, mas pirosa. Sem a graça nem a perspicácia de verdadeiras obras literárias. Com um enredo (leia-se, comitiva) demasiado pequeno. E talvez com esse pormenor a ser mesmo o grande problema, que mata, desde à partida, a novela.

Filipa Sousa foi uma boa protagonista. Segura, brilhante. O guião que lhe foi dado para interpretar, esse sim, era realmente fraco. Nem a caracterização ajudou. Os 3 minutos de história acabaram por sair gorados e o exigente público do leste europeu, substancialmente diferente das típicas donas de casa noveleiras da TVI, não aprovou o “episódio-piloto”.

A história acabou, como sempre, cedo demais, sem direito a segunda temporada.

Salvou-se o excelente narrador Pedro Granger, que fez o trabalho de casa e salvou o triste fado lusitano.

  • weLo

    claro, a TVI tinha q vir ao barulho.. podias ser imparcial às vezes, mas cada vez mais mostras que és anti-tvi, ou coisa parecida.. ridiculo. a continuar assim deixo de ler isto, porque as tuas ultimas três opiniões têm sido um desastre. a filipa estve bem, e devemos ter orgulho em sermos dos poucos países que canta na sua língua original, isso sim pode ter-nos custado a final… é muito fácil falar sem saber

  • Tiago

    A RTP é uma miséria. Essa é a raiz do problema. PORRA entreguem isto á TVI, façam uma espécie de “MelodienFestival” em Portugal e parem de investir milhões desalmadamente nalgo que não precisa de divulgação (futebol, é só uma questão de marcar golos ou nao, ninguem vai votar neles para ganharem, logo nao precisam de tanta divulgaçao e tantos programas em horario nobre) e invistam na MÚSICA, que está pelas ruas da amargura. Querem uma receita para ganhar ou pelo menos fazer boa figura? Euro-pop (em inglês) + Carlos Costa + divulgação/apoio aí têm a formula do nosso sucesso lá fora. ACORDEM!!!

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