Falar Televisão

Eis a nova novela do fim de tarde

Chegou ontem à SIC a mais recente novela brasileira da estação: «Fina Estampa». Esta produção, escrita por Aguinaldo Silva, já foi toda exibida no Brasil. Em terras de Vera Cruz, a novela conseguiu o feito de subir o resultado que a TV Globo fazia no horário, que estava em queda desde há alguns anos (e, novela após novela, a audiência acabava por ser sempre mais baixa). Por cá, a nível audiométrico, ainda é cedo para tirar conclusões.

A novela estreou ontem às 18:25. Já tive a oportunidade de dizer por aqui que este horário, quanto a mim, parece-me o mais adequado (é a segunda vez na história da SIC que uma «novela das 8» – agora, «novela das 9» – é exibida fora do horário nobre e no horário das 19h). Obviamente que esta é a faixa que vai ficar, apenas, durante as semanas finais de «Morde & Assopra». Depois, irá ocupar o lugar deixado por esta: começará às 18:40 repetindo até às 19:00 e por volta das 19:10 começará o episódio inédito até às 20:00. É a «lógica da batata»! O ideal seria haver uma novela a anteceder «Fina Estampa», dando das 18:10 às 19:00, mas pronto, não há dinheiro para isso! Esse também é um assunto que não é para aqui chamado…

A estreia foi auspiciosa: 9,9% de rating e 32,8% de share. Foi, certamente, a melhor estreia de uma novela brasileira, na SIC, nos últimos anos, mesmo começando o episódio às 18:25. E era mesmo por isto que eu defendia a novela neste horário: se substituísse «Insensato Coração», por exemplo, não deveria fazer um valor tão bom (ontem, a novela, que foi para o ar por volta das 23:55, fez 6,4% de rating e 26,0% de share). Para «Fina Estampa» ir para o ar perto da meia-noite, mais vale dar no horário das 18:00 (daqui a uns tempos dará o episódio inédito às 19:00) que sempre é mais vista que em horário nobre (ficou em 5º lugar do TOP da SIC, à frente de «Insensato Coração» que ficou em 6º). E, claro, lidera confortavelmente (contra o «Portugal em Directo» e «O Preço Certo» da RTP1, bem como contra «A Tarde é Sua» e «Morangos com Açúcar» da TVI).

«Morde & Assopra» é uma novela leve, cómica, com histórias fortes dentro da história. Em suma, é uma «novela das 7» da TV Globo. «Fina Estampa», como «novela das 9», deveria ser mais pesada, mais madura, com histórias mais complexas. Mas não! E é por isso que no Brasil a novela resultou logo no início: «Fina Estampa» é uma novela leve (obviamente que, pelo meio, tem as vilanias da «Tereza Cristina» que, com alguma comédia, terá também alguma tragédia e momentos fortes), popular, com personagens que fazem os telespectadores identificarem-se e envolverem-se, com um estilo jovem (cenas ambientadas na praia e na universidade) e, claro, com vidas «reais» que poderiam ser as nossas ou a dos nossos vizinhos. Quem é que fica indiferente a uma mulher pobre e batalhadora, renegada pelo filho (esta é, inclusive, uma das histórias de «Morde & Assopra» e que contribuiu para o sucesso desta)? Esta mulher, batalhadora, é o reflexo de muitas mulheres que existem por este país fora… e, nos tempos atuais, são mais as pessoas batalhadores do que aquelas que têm a vida facilitada! E é esta caracterização do povo que faz com que a novela resulte tão bem (ou, pelo menos, resultou tão bem no Brasil). Nem se quer foi preciso começar a novela do outro lado do Mundo, nem mostrar catástrofes ou acidentes para fazer os telespectadores renderem-se!

Hoje já foi exibido mais um episódio. A novela tem um bom ritmo, é ágil, tem situações que envolvem tanto pela comédia como pela comoção. O Aguinaldo Silva acertou, depois de «Duas Caras» (a sua novela anterior) ter demorado a «arrancar». Não tem a força inicial de «Senhora do Destino» (do mesmo autor), mas convence e cumpre. Acredito que, na SIC, irá ser uma substituta à altura de «Morde & Assopra» e deverá manter os bons valores. Tendo em conta que convenceu logo no início (pelo menos no primeiro episódio!) e olhando para o comportamento dos produtos concorrentes, será difícil o público rejeitar a novela. Mas isso, só o tempo dirá. Vamos lá ver se a «Griselda», a par da vilã «Tereza Cristina» e do fiel empregado «Crô», bem como o «Guaracy» (papel do português Paulo Rocha) irão conquistar os portugueses.

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