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A TV dos 760

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A notícia de que Portugal em Festa vai ser prolongado até Dezembro vem comprovar que hoje as televisões já não programam apenas a pensar nas audiências, mas sobretudo no retorno financeiro dos seus programas. Não é que isto seja algo de novo, como é óbvio. Mas tradicionalmente olha-se para a luta pelas audiências como uma procura de maiores receitas, através do investimento publicitário. No entanto, num momento em que o mercado publicitário se encontra em crise profunda, outras formas de financiamento e de rentabilização dos programas inevitavelmente ganham espaço.

Hoje as grelhas de todas as estações generalistas (incluído a RTP1, que também já tem passatempos em vários programas) estão inundadas de «760s». Linhas de valor acrescentado por tudo e por nada, desde as votações nos fóruns da SIC Notícias às expulsões nos reality-shows e outros concursos, jogos com jackpots, carros, ouro, apartamento, férias pagas… Custa-me perceber como é que num momento de crise há tanta gente a pegar no telefone e a pagar o «dízimo» dos 60 cêntimos (mais IVA, claro está). Mas estes 60 cêntimos podem ser preciosos para as estações, num momento em que toda a comunicação social é afectada pela crise.

Ao contrário de Somos Portugal da TVI, Portugal em Festa tem resultados miseráveis, e nada indica que deixe de ter até Dezembro. A SIC perdeu 47% da sua audiência nas tardes de Domingo, e não parece estar muito preocupada. Para já a preocupação principal é que o programa seja rentável, e pelos vistos cumpre esse objectivo. Veremos é se o ganho imediato não se reflecte em perdas a longo prazo. É que o público jovem e das camadas mais favorecidas sempre foi um “pilar” da SIC, e não me parece que Portugal em Festa seja um formato minimamente atraente para estas faixas do público.