Falar Televisão

15 mil Cátias

O que mais me assusta ao ver o número de inscritos na terceira edição de Secret Story é saber que os portugueses continuam com uma sede enorme de protagonismo. Muito para além do fator ingénuo da experiencia, há mais de 10 anos atrás, quando este tipo de formatos estreou no nosso país, todos os 15 mil que até agora já se inscreveram no reality da TVI vêm numa hipotética participação uma porta aberta para algumas semanas de fama, mediatismo e protagonismo. Serão certamente convidados pelos programas de day-time, não podem faltar às obrigatórias presenças nas discotecas e, com alguma sorte, ainda param nas novelas e acabam por gravar um disco.

A televisão abre portas, através de mais lixo como Secret Story, para se tornar numa rampa de lançamento acessível a qualquer um. Os concorrentes são carne para canhão, rendem audiências por uns meses e até preenchem o resto da emissão mesmo depois do concurso. Receita milagrosa para gerar, que ironia, receita. Com uma nova fornada de 15 mil concorrentes, a TVI já se pode considerar a postos para setembro. E a SIC também não deverá tardar a angariar as suas 15 mil “Cátias” para a próxima rentrée. Júlia Pinheiro não admitia uma outra solução…

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  • A culpa será também das tantas dezenas de milhar de “cátias” que não se candidatam e que ficam coladas ao ecrã a acompanhar a par e passo tudo o que acontece entre aquelas quatro paredes. As televisões são empresas, as empresas vivem do lucro, o lucro parte das audiências, eles dão-lhes o que querem. É triste? Muito. Não só para quem vê televisão mas, sobretudo, para quem trabalha em televisão. Boa crónica 🙂

  • Ivo

    Solução: Cabo
    Assim poupo os meus ouvidos e olhos a tamanho lixo.

  • Msilva

    Parece-me mau chamar “lixo” a um programa como secret story. Aceito que muitos não gostem do formato, mas quem dá a notícia não deveria ser isento?

    • vendeira

      Caro Msilva, isto é uma crónica e não uma notícia, daí o Pedro Esteves ter dado a sua opinião 🙂

  • Joana

    Quem é Pedro Esteves? Uma crónica é um género que deve ser realizado por alguém minimamente preparado, o que não me parece de todo. Além de que, dadas as características deste texto, com uma ausência de trabalho estilístico e uma posição firme e subjectiva deve ser classificado como texto de opinião. Quanto aos argumentos aduzidos traduzem-se em pura ignorância. É imprescindível ver além do óbvio e do aparente. Um programa deste tipo é um fantástico recurso para áreas como as ciências da comunicação, sociologia e psicologia. É um formato interessantíssimo para quem tem bases culturais para ver além de mexericos. O que não me parece ser o caso deste pseudo cronista. E para que não venham com críticas de que falo sem saber, desde já digo que sou formada em ciências da comunicação, logo tenho toda a legitimidade para analisar um mau texto de opinião. E não é por discordar da mesma, mas sim por se sustentar numa argumentação pobre, baseada no exemplo, logo indutiva e, por conseguinte, pouco plausível. Afinal não são só centenas de milhares de “Cátias” que assistem ao “lixo”. Como me constituo um paradoxon à boa maneira aristotélica posso criticar uma “crónica” que nada tem desse género, e que em muito deve envergonhar um site tão inovador e de qualidade como “a televisão”.

    • Joana, concordo consigo quando diz que não são só Cátias que assistem a este lixo televisivo. E até poderia concordar que um programa deste género seja bom material de estudo para áreas como Sociologia e Psicologia. Pergunto-lhe, como alguém formado em Ciências da Comunicação, se considera um reality-show como “Secret Story” (versão portuguesa) um produto televisivo com algum caráter cultural. E se o considera, porque razão a audiência se distribui de forma tão visível pelas classes que certamente conhece (uma vez que é formada em Ciências da Comunicação). Para além disso, pergunto-lhe se são este tipo de programas (manipulados, como toda a gente, necessariamente alguém da área da comunicação, sabe) recursos válidos para uma qualquer análise ou estudo. Acho ainda ridículo criticar um qualquer cronista por escrever, num espaço como este, a sua opinião, por pouco fundamentada que seja, afinal estamos a falar de um programa que mais não é senão um produto para gerar audiência.

      • Joana

        Vítor, segundo os dados audiométricos, são de facto as classes mais baixas que são a maioria dos telespectadores deste tipo de programas. Eu nunca disse, em nenhum momento, no meu comentário que o programa tinha um carácter cultural. Até porque não é esse o fundamento do programa. Eu afirmei e reitero que o programa pode ser analisado e visto sob uma perspectiva de análise para as áreas de conhecimento que mencionei. Falar em manipulação implica primeiramente definir o que se entende por tal, Logo não vou entrar por aí… O próprio Luhmann mostrava que uma coisa são notícias outra é a verdade. Apenas temos contacto com uma perspectiva do real que posteriormente será assimilada de acordo com categorias pré-existentes no nosso sub consciente. Mas isso são discussões para um ambiente académico. Mas é isso mesmo que torna os reality shows num tema tão propício para essas áreas, por romperem com todos os cânones estabelecidos e pelo seu carácter agónico. Quanto à sua crítica, posso ter comentado de uma forma um pouco agressiva, mas não retiro o que disse. E já agora, nos media, todos os produtos são para gerar audiências. E falar de uma forma tão assertiva, sem deixar margem para discussão, só demonstra ignorância. Concordo consigo, mas isso não implica que o programa não seja mais do que isso. E volto a afirmar, que apesar das barreiras entre opinião e crónica não serem estanques, é facilmente visível e pouco discutível que isto é um texto de opinião. E como o Pedro teve o direito de a expressar, eu também detenho esse direito, sem ofender ninguém, óbvio,

  • João

    Joana concordo na totalidade contigo. Este texto não é de nenhuma pessoa formada é um texto de “opinião de café”. Em relação ao que referiste (areas da psicologia, sociologia etc) foi muito bem argumentado. Quem escreveu isto não tem a minima noção do que diz. Para terminar acho uma vergonha para este site ter uma “crónica” destas, pois sou bastante interessado na área da televisão e comunicação e este site tem me mantido sempre informado. Obrigado. Quanto ao Pedro Esteves… Pensa no que escreves rapaz, envergonhas este espectacular site

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