Estrelas na Terra

Ricardo Araújo Pereira

Neste regresso do Estrelas na Terra, vou fazer referência ao argumentista, actor e, sobretudo, humorista Ricardo Araújo Pereira (RAP). Em época eleitoral é ele um dos protagonistas da televisão portuguesa, sem falar das expressões criadas pelos Gato Fedorento que se tornaram parte do vocabulário diário dos portugueses, tais como “eles falam, falam, mas eu não os vejo a fazer nada, fico chateado, pois claro que fico chateado” ou o célebre “psssit cala-te”, entre outras.

RAP nasceu três dias após a Revolução dos Cravos, tendo frequentado a Universidade Católica Portuguesa, terminando o curso de Comunicação Social e Cultural. Desde essa altura trabalhou em diversas publicações escritas e iniciou-se como argumentista para as Produções Fictícias, entre eles, programas de Herman José (Herman 98, Herman 99) e também O Programa da Maria.

Mais tarde criou, com Zé Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores, o blog Gato Fedorento, em que davam azo à sua veia humorística e crítica da sociedade portuguesa. Não tardou a que este fenómeno passasse para a televisão, nomeadamente para a SIC Radical, mais tarde para a RTP 1 e, mais recentemente, novamente na SIC, mas desta feita, no canal generalista.

Embora fossem quatro os seus autores e actores, RAP destacou-se do grupo, sendo assumidamente o “líder” (externamente, pelo menos), apresentando o programa Esmiúça os Sufrágios, na SIC, que tem obtido excelentes audiências. Aquilo que destaco é a capacidade de observação que os quatro demonstram, conseguindo identificar os principais traços de algumas personalidades e fazer disso algo engraçado. No fundo, pegam-se em questões extremamente banais e inesperadas para fazer humor. Esta nova abordagem do humor constituiu um passo em frente em relação àquilo que vinha sendo desenvolvido por Herman José. Tanto é, que hoje em dia são encarados como exemplo e têm surgido programas dentro do mesmo género.

Contudo, o que eu gostaria também de realçar é o facto do RAP não recorrer (só) ao humor brejeiro e corriqueiro, mas sim, um humor fruto de muita observação e até cultura, pois nota-se que há muito trabalho de casa feito, tanto a nível histórico, linguístico e político.

Importa ainda referir que o RAP é presença constante na imprensa escrita (revista Visão) e em anúncios publicitários, destacando-se a campanha da Meo. Em suma, julgo que salta à vista que o humor é fruto de observação atenta e o RAP não só o consegue fazer com mestria, como ainda a representa bastante bem, abordando temas tabu, não obstante as pressões sofridas.

Despeço-me com amizade. Não se esqueçam de dar a vossa opinião sobre esta crónica aqui ou no fórum, bem como participarem no Desafio de Novembro.

Até daqui a 10 dias.

Diana Casanova

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