Cine-Opinião

«The Dark Knight Rises»

Chega ao fim a mais recente trilogia sobre o ‘Cavaleiro das Trevas’. O Cine-Opinião desta semana debruça-se sobre o último capitulo da história do herói.

A personagem da DC Comics criada por Bob Kane, pendura agora o fato e a capa e não mais se dedica a defender ‘Gotham City’ dos criminosos.

É pela mão de Christopher Nolan e do seu irmão Jonathan Nolan que ‘Batman’ ganhou em 2005 uma nova vida, com «Batman Begins», que marca o início da mais brilhante trilogia da história do cinema contemporâneo.

«The Dark Knight Rises» é o derradeiro capítulo da trilogia que encantou as massas, encheu salas de cinema e agradou a crítica. Nolan é já um mestre do cinema, e coloca em «The Dark Knight Rises» todo o seu talento e empenho. O argumento talentosamente escrito, a edição minuciosamente trabalhada, e os pormenores deliciosamente pensados, não deixam nada ao acaso.

«The Dark Knight Rises» é tudo o que pode esperar e muito mais. Nolan traz ao homem-morcego, durante toda a  saga, o realismo que outrora faltou e mostra no mais recente filme, um herói que aprende que para se levantar é preciso cair. O realizador reclama para si a plausibilidade que sempre quis imprimir a história. E fecha os arcos de todos os personagens dos seus antecessores.

Oito anos passaram desde os eventos de «The Dark Knight», ‘Gotham City’ agora é uma cidade segura. Graças aos feitos do “herói” ‘Harvey Dent’, a lei finalmente  venceu numa cidade que fora em tempos o paraíso dos criminosos. Tempos de paz, que dispensam heróis com distintivo como ‘comissário Gordon’ ou o homem que se esconde debaixo de uma máscara, ‘Batman’. Perante este cenário, ‘Bruce Wayne’ vive isolado na restaurada mansão, longe da realidade do mundo e dos seus próprios negócios que se encontram perto da falência. É para o ajudar nos negócios que entra Marion Cutilard como a filantropa ‘Miranda Tate’ que se voluntaria para ajudar ‘Wayne’. Mas de boas intenções está o inferno cheio.

Se anteriormente vimos um vilão de sorriso na cara a assaltar bancos, em «The Dark Knight Rises», o espetador tem a sua atenção presa quando na cena inicial vê um avião ser sequestrado em pleno ar. Quando o misterioso ‘Bane’ chega à cidade, ‘Bruce’ é obrigado a sair da reforma e impedir os planos megalómanos do vilão.

Christian Bale tem neste ultimo filme o auge da sua atuação, Nolan consegue extrair do ator o máximo da sua maturidade nesta complexa atuação da sua vida dupla. É perante o novo desafio (além de enfrentar um novo vilão, ‘Bruce Wayne’ encontra-se muito debilitado fisicamente) que ‘Batman’ se cruza com a igualmente misteriosa ‘Selina Kyle’, uma experiente ladra de jóias envolvida com as pessoas erradas.
Anne Hathaway é brilhante como ‘Selina’ e ainda melhor como ‘CatWoman’, trazendo a sensualidade, a sagacidade e o mistério inerentes à personagem. Apesar de curtas aparições, Hathaway traz à longa metragem comédia inteligente e vira os holofotes para si excedendo as expetativas criadas.

Mas nem só dos que praticam o bem se fazem as histórias, mas também dos seus vilões. Depois do apogeu que marcou o segundo filme, que culminou com a premiação com um Óscar a título póstumo de Heath Leadger no papel do insano ‘Joker’, a tarefa estava dificultada e a fasquia muito elevada.
Tom Hardy no papel do sombrio ‘Bane’, personifica o verdadeiro terror. A voz que ecoa nas cabeça de quem o vê, o físico imponente e os acessos de violência desmedida constituem um excelente desempenho no que diz respeito a temer não só pelos civis como pela vida de ‘Batman’, e esses laços não se quebram. ‘Bane’ não é melhor que ‘Joker’ mas não anda longe. As comparações são inevitáveis mas os vilões são demasiado diferentes. ‘Bane’ não é o vilão que ‘Batman’ precisa mas o vilão que ‘Batman’ merece.
‘Bane’ consegue criar momentos de tensão e com uma mascara engenhosa no rosto, Tom Hardy consegue com a comunicação corporal e olhar transmitir sentimentos, e acreditem que ele os tem.

Mas é nas personagens secundárias e na diferença de tratamento algo negligente que marca outros filmes que a saga difere das demais.
Morgan Freeman no papel de ‘Lucius Fox’, Gary Oldman como ‘comissário Gordon’ ou Joseph Gordon- Levitt como ‘John Blake’ são uma mais valia no que diz respeito às tramas paralelas que tornam «The Dark Knight Rises« maravilhoso. O destaque porém, vai para Michael Caine, o fiel mordomo ‘Alfred’ luta para ver ‘Bruce Wayne’ um dia abraçar uma vida normal é tocante e intensa.

Para terminar, visualmente, o filme é poderoso, onde os adjetivos para o qualificarem  me excassam. A fotografia,assinada novamente por Wally Pfister, que em momentos urbanos, remete-nos para «The Inception», merece todos os elogios e prémios. Paralelamente, a banda sonora completamente imersiva de Hans Zimmer dispensa comentários, e pisca novamente o olho aos mais altos prémios da Academia.

«The Dark Knight Rises» é por todos estes motivos a cereja no topo de bolo, e o final que a trilogia merece.

O Cine-Opinião regressa para a semana. Até lá, bons filmes.

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