Cine-Opinião

Harry Potter e os Talismãs da Morte, parte 2

Título original – Harry Potter and the Deatlhy Hallows

Data de Estreia: 14/07/2011 (Portugal)

Realizador– David Yates

Argumento – Steve Kloves (adaptado do original de J.K Rowling)

Com – Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Ralph Fiennes

Produtora/Distribuição – Warnerbros studios

Género – Aventura, Fantasia, Drama, Acção

País – EUA, 2011

Duração – 2h10m

 

Trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=I_kDb-pRCds

http://www.youtube.com/watch?v=5NYt1qirBWg

 

Harry Potter e os Talismãs da Morte (parte 2) é o oitavo e derradeiro filme adaptado da saga Harry Potter e baseado nos capítulos 24 ao epílogo da novela de fantasia homónima da internacionalmente conhecida e milionária, J.K. Rowling e que assim encerra o ciclo de aventuras vividas pelo jovem feiticeiro e os seus amigos, para sobreviver a Voldemort (aquele cujo nome não deve ser pronunciado). O primeiro da história a ser convertido inteiramente em 3D.

Neste último capitulo, Harry (Daniel Radcliffe), Hermione (Emma Watson) e Ron (Rupert Grint) continuam a missão deixada por Dumbledore de encontrar e destruir os restantes horcruxes, (objectos onde Lord Voldemort, Tom RiddleRalph Fiennes – escondeu os pedaços da sua alma, para se tornar imortal) e assim destruir para sempre o senhor do mal.

Contudo, Harry e os seus amigos deparam-se com grandes dificuldades inerentes aos difíceis tempos vividos no mundo dos feiticeiros, agora totalmente controlado por Riddle e pela sua horda de devoradores da morte. A luta entre o bem e o mal nunca foi levada a um nível tão alto e ninguém está a salvo. Harry Potter terá aqui o confronto final com o seu arqui-inimigo e a oportunidade para o sacrifício final. Porque “nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver”, e tal como tudo começou, tudo acaba também, aqui.

De todas as outras aventuras deste mundo de feitiçaria, Harry Potter and the Deathly Hallows 2 é, sem dúvida, a melhor.

O jovem feiticeiro cresceu ao longo destes 10 anos, e tal como ele, o primeiro filme que começou como uma deambulação infantil pelo mundo mágico, ganha contornos mais negros e soturnos neste último. Harry já não é mais um menino a quem bastavam as poções na enfermaria da Madame Pomfrey, os amigos e barras de chocolate para recuperar o corpo e as forças.

Harry James Potter cresceu, e com ele cresceram também as vivências dos seus desgostos, percebendo que, para viver, é preciso muito mais do que ter apenas sobrevivido. Quase todas as pessoas que ama morreram, as referências e as motivações começam a ser poucas face a um destino para que foi impelido, contra a sua vontade e por razões maiores, dele desconhecidas. A força da lealdade e da amizade por si só já não bastam. Na luta contra o mal, é preciso astúcia, persistência, uma grande dose de imprudência e coragem para que a morte não seja o próximo acontecimento social da própria vida do feiticeiro mais popular.

Apesar dos erros recorrentes de qualquer adaptação, enquanto filme de força, de subsistência e audácia, Harry Potter e os Talismãs da Morte cumpre bem a sua função. David Yates (que já tinha realizado os quatro filmes anteriores) prima nos efeitos especiais, que nos dão a noção visual exacta da atmosfera densa e negra que se vive entre os feiticeiros. Steve Kloves absorveu na perfeição a última mensagem de Rowling e adapta-a com mestria. Os feitiços são mais pesados, o espaço para o cómico reduzido e nenhum personagem da saga é esquecido.

Daniel Radcliffe vai mais longe no nível de desespero de Harry Potter, que nos aparece cada vez mais revoltado, cada vez mais encolerizado, numa espiral de emoções que só quem passou por uma mesma história consegue alcançar. Leva-nos do riso ao choro, ao medo, em questões de minutos, transmitindo na perfeição a escalada de emoções que Harry está a viver.

Merecidos créditos a Watson e Grint como os amigos inseparáveis e fundamentais para o feiticeiro, com todo o seu lado engraçado e afectuoso. Grande parte da mensagem do filme está na entreajuda e lealdade destes dois, como símbolo máximo da inteligência, do companheirismo, da dedicação, atributo da verdadeira amizade.

Faço votos para que não caiam no anonimato, como já aconteceu com estrelas de grandes sagas como Mark Hamill e Carrie Fisher, de Star Wars.

Contudo, a alavanca do filme está no admirável elenco de actores secundários.

Maggie Smith, enquanto Professora McGonagall, brinda-nos com cenas absolutamente tocantes, enquanto assiste à queda de Hogwarts, a Escola de feitiçaria que durante anos ajudou a suportar.

Helena Bonham Carter continua perfeita no tom que confere à sua Bellatrix Lestrange. Tão temível e brilhante, quanto abominavelmente louca.

A minha salva de palmas vai, no entanto, para Alan Rickman, o conhecido comediante britânico que estrela aqui num registo oposto, mas igualmente brilhante, como Professor Snape. Este foi um dos personagens mais marcantes de sempre, que encontra aqui, um dos finais mais épicos. Durante anos, Rickman conferiu-lhe o olhar severo, próprio do nome, o tom ríspido e monocórdico, o aspecto misterioso e denso que pairava no ar. Neste filme, confere-lhe paixão, dor, saudade, tormento, desejo e uma imensa coragem, o que faltava conhecer da faceta deste personagem fascinante e sedutor.

Longe dos primeiros, este é um filme, que crianças dificilmente entenderão. O noire, o drama implícito ao final heróico da trama, escapam-lhes, e é apenas próprio de sentimentos e de despedidas pouco indicadas para os mais pequenos,  apesar do excelente espectáculo visual que tem a oferecer.

Enquanto os anteriores facilmente se converteram numa outra forma de ilustração facilitada da novela de J.K. Rowling, este ganha vida própria. Uma identidade individual de estilo e estética mais aguçados, que quem iniciou esta viagem com Harry e os seus companheiros, não vai querer perder.

 

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