Cine-Opinião

«As Palavras»

cine opiniao 2012

 

A fama chega quando o jovem Rory Jansen publica um romance que depressa atinge o estatuto de best-seller. O problema é que não é ele o autor das palavras que compõem o bem-sucedido livro. E a verdade persegui-lo-á à medida que acumula um prestígio que não lhe é devido.

Um filme que marca a estreia de Brian Klugman e Lee Sternthal, argumentistas de “Tron: O Legado”, atrás das câmaras.

Quando Rory Jansen publica o seu primeiro livro dá-se um daqueles momentos raros, uma vez em cada geração, em que o mundo literário e a imaginação do público são tocados em simultâneo. Amigos recomendam-no, os críticos deliram, o livro está em toda a parte, clubes literários, aviões, universidades. Com uma voz fresca e uma sabedoria sobre a vida que parece ser intemporal, Rory torna-se uma estrela literária imediata. Carismático, talentoso, inteligente, o jovem autor parece ter tudo: uma bela vida, uma esposa adorada, o mundo a seus pés – e tudo por causa de palavras. Mas de quem são aquelas palavras afinal? E que história é aquela, afinal de contas?

O conflito inerente ao filme “ As Palavras” passa essencialmente pela moralidade e a forma como uma pessoa lida com o facto de ter tido uma falha grave ao nível da ética, se a redenção é possível depois de uma traição a si mesmo e aos outros. Rory deveria ter pensado nisto antes e só depois de se ver confrontado com o sucesso público é que ele se apercebe do erro que cometeu.

Temos ainda o popular autor Clay Hammond (Dennis Quaid), que lê as passagens do livro “As Palavras” e ainda que o ator tente dar algum crédito ao argumento acaba por tornar-se enfadonho. Acaba por se inspirar naquela mítica história do manuscrito de Hemingway que se perde durante uma viagem a Espanha mas em vez de se inspirarem no génio do autor acabam por criar um argumento fraco.

Bradley Cooper surge no papel de Rory Jansen, um novo autor que tenta a todo o custo ser publicado e que tem a vida perfeita, um apartamento em Manhattan que partilha com a namorada Dora (Zoe Saldana). Na lua-de-mel em Paris acabam por se cruzar com uma pasta que contem um manuscrito, no regresso a casa e frustrado pelo facto de não conseguir criar nada de novo Rory descobre o famoso manuscrito.

O que acontece quando Rory diz que o manuscrito é da sua autoria e o preço a pagar pelo sucesso em que se torna o livro acaba por ser o ponto central de todo o filme mas também o centro do livro que Clay nos está a ler.

Temos ainda “The Old Man” (Jeremy Irons) que faz muito com muito pouco, ao que parece ele escreveu uma história que se perdeu numa pasta num comboio em França. E a história que ele escreveu – de Paris dos anos 50 do pós-guerra, do amor verdadeiro, dos corações partidos – acaba por ser um filme dentro do filme principal. E nesta altura surge ainda uma nova personagem “The Young Man” (Ben Barnes).

O filme tem uma fotografia brilhante, Cooper tem total protagonismo mas à medida que a história avança acabamos por nos perder entre a vida de Clay, a vida de Rory, a vida de “The Old Man e a vida de “The Yougn Man” – cansativo não?

 

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