Ainda Sou do Tempo

«Ainda sou do Tempo…» do «Big Brother»

Ainda sou do Tempo

Era o início dos reinados dos realitty-shows em Portugal. Até então, a SIC era líder de audiências. Quis o destino que os papéis se invertessem e a decisão de Emídio Rangel, na altura diretor de programas da SIC, em recusar comprar o «Big Brother» à Endemol, permitisse isso mesmo: dar de bandeja a liderança  ao segundo canal privado: a TVI.

Recuemos então ao ano de 2000 e concentremo-nos no dia 3 de setembro, altura em que vai para o ar a primeira edição da versão portuguesa de «Big Brother», o concurso polémico de grande sucesso, importado da Holanda, que proporcionou a cidadãos anónimos ficarem conhecidos por todo o país. País este que colou integralmente à televisão afim de verem os 14 concorrentes fechados numa casa e cercados por câmaras de filmar 24h sobre 24h, durante 120 dias.

O concurso estava nas bocas do povo. Não havia ninguém que não ouvisse falar deste “novo género de televisão”. Era um fenómeno esmagador e atingiu dimensões que nem os produtores estavam à espera. Estava encontrada a pólvora imbatível para conquistar as audiências. No «Big Brother» havia de tudo: intrigas, sexo, conflitos e violência.

O título deste reality show baseia-se no livro «1984» de George Orwell onde a personagem principal da trama era um ditador que controlava e condicionava os movimentos dos cidadãos através de câmaras de filmar. A produção, a cargo da Endemol, fazia uma seleção das melhores imagens que transmitia nos diários, juntamente com ligações constantes em direto à Venda do Pinheiro, em Loures, onde se encontravam os concorrentes. Estes, desafiados a cumprir tarefas afim de poderem comprar alimentos para a sua alimentação, dia após dia, ambicionavam chegar à final e conquistar o valor de 20 mil contos (equivalentes a 99 759,560 euros).

Para chegar ao grande prémio, os participantes tinham de escapar às nomeações dos moradores da casa e aos votos do público que “julgavam” e votavam massivamente (via internet ou telefone) naquele que queriam ver expulso da casa.  De duas em duas semanas, cada concorrente nomeava duas pessoas com quem não tinha grande relação dentro da casa e, após todos os votos somados, os dois (chegando, por vezes, a três) mais votados eram submetidos à votação do público.

O programa tornou-se polémico e foi objeto de amplo debate sociológico na sociedade portuguesa. Houve strips, cenas de sexo, discussões, intrigas e violência. “Escandaloso” pode ser mesmo a “palavra-chave” das várias edições do «Big Brother» que ficaram para a história. A Televisão, relembra-lhe agora três temáticas que serviram de boato entre os espetadores da TVI:

  1. Sexo : As aventuras sexuais que ocorreram debaixo do edredão de Marco e Marta e de Célia e Telmo foram debatidos dentro e fora da casa e causaram grande estrondo na comunicação social. Ficou célebre a conversa entre Célia e Telmo: “Gostastes?”, pergunta Telmo, de 23 anos, a Célia, com 18, ao qual responde “Gostei”.
  2. Violência: Não há quem não conheça ou se lembre da discussão acesa entre Marco e Sónia, na primeira edição de BB. O pontapé do professor de kickboxing na cara de Sónia teve direito à abertura do telejornal e culminou com a expulsão de Marco da casa mais famosa do país (na altura).
  3. Erros de português: Os constantes enganos na dicção das palavras da nossa língua eram presentes nas emissões diárias do concurso do canal de Queluz de Baixo. Desde “órgias”, a “prontos”, passando por “estroves” e “desalívios”.

O sucesso da primeira edição foi de tal ordem, que a menos de um mês do fim do «Big Brother 1» arrancou a Janeiro de 2001, a segunda edição com 13 concorrentes selecionados entre cerca de 40 000 candidatos. Mais quatro edições seguiram-se, duas dais quais com concorrentes famosos. Apesar das audiências irem decaindo edição pós edição o programa foi o principal impulsionador do lançamento definitivo da TVI como líder das audiências.

 

Consta que o programa do BB fora, até ao momento, o mais visto de sempre na televisão portuguesa, chegando mesmo a conquistar mais de 70% de share televisivo na final da primeira edição, a 31 de Dezembro de 2000.

A popularidade do programa foi descendo ao longo das suas seis edições, até que a TVI o retirou do ar. Porém, as estações privadas portuguesas continuaram ao longo dos tempos a apostar em reality-shows, à semelhança do que se tem passado nos outros países do mundo.

Em 2010 a estação apostou numa versão modificada e melhorada do programa, o «Secret Story – Casa dos Segredos» que estreará dentro de três dias a terceira edição do programa que fez também sucesso perante o público português.

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  • Pedro

    Excelente programa para uma estreia 🙂

  • Migas

    gosto desta nova rubrica!

  • joao

    a venda do pinheiro é em mafra e nao em loures

    • Ritinha

      na altura era em loures parvalhão 😛

      • Peter

        Não era não! Era na venda do pinheiro no estúdios GRUPOTV

  • Joana

    TVI <3

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