A Reportagem Rubricas

“Festival da Canção 2011” – do Teatro Camões à Televisão

Um dia depois de a RTP ter transmitido a quadragésima sétima edição de um dos mais conhecidos festivais do nosso país, Tiago Henriques e Pedro Esteves apresentam duas perspectivas sobre o certame. A de quem esteve no Teatro Camões e a de quem viu o Festival da Canção no conforto do seu sofá. Duas opiniões em muito semelhantes. Descubra as diferenças e partilhe connosco a sua opinião!


Estava expectante. Ou não estivéssemos nós a falar do Festival da Canção, esse acontecimento mítico que, apesar de não ter um terço do impacto, importância e prestígio que tinha há umas décadas atrás, não deixa de ser um evento relevante, pelo menos para quem segue com interesse o Festival Eurovisão da Canção.

E apesar de todo o descontentamento e desilusão que senti nas edições anteriores, e apesar de toda a consequente falta de interesse pela eleição da representante portuguesa nos palcos europeus, às nove da noite de ontem não resisti e larguei tudo para ficar ligado à RTP1, à espera de ver boas actuações e uma boa noite de espectáculo.

E no cômputo geral, não me enganei muito. A vertente de espectáculo foi bem conseguida. Um cenário simpático, uma Sílvia Alberto segura, um teatro Camões completo e uma realização perspicaz. Mas só isto, não bastou.

Faltou mais. Faltou uma diferença que há cerca de um ano parecia estar lentamente a surgir. Faltou inovação. Faltou arrojo e espírito “eurovisivo”. Com um alinhamento fotocópia das anteriores edições e com júris distritais compostos por mediadores de seguros, jornalistas e funcionários públicos, que ficaram desde logo encarregues de aniquilar as poucas músicas com potencial para Düssledorf, o Festival da Canção 2011 manteve um registo a que a RTP sempre nos habituou e que ficou parado algures nos anos 80.

Os Homens da Luta são os (supostos) representantes dos portugueses em 2011, mas poderiam muito bem ser os representares nacionais em 1985. Nada mudou desde então, quer no Festival da Canção português, quer nos representantes que levamos até lá. E talvez por isso mesmo é que continuamos a coleccionar maus resultados atrás de maus resultados no palco do ESC.

Em suma, o Festival da Canção 2011 foi mais do mesmo, quando o mesmo já é demais!

Pedro Esteves


Nunca fui um fá acérrimo do Festival da Canção, mas de há uns anos para cá comecei a prestar mais atenção ao certame. Este ano, curiosamente, o amigo de um amigo meu escreveu e compôs uma das músicas a concurso, Chegar à Tua Voz, interpretada brilhantemente por Wanda Stuart.

E foi com uma enorme alegria que recebi o convite para estar sentado na claque mais azul do Teatro Camões, ao lado da calorosa gente do norte. Cada minuto foi vivido intensamente. Cada tema me surpreendeu, positiva ou negativamente e é claro que também eu não fiquei satisfeito com a canção vencedora. Mas tirando isso, a noite foi, como se diz na gíria, B-R-U-T-A-L.

Uma elegantíssima Sílvia Alberto, uma concentrada e cem mil vezes melhor do que Sérgio Mateus, Joana Teles aliados a um óptimo espectáculo televisivo. É certo que a produção poderia ser mais organizada e ter evitado algumas situações, mas isso é o menos.

Para mim, a melhor da noite foi mesmo Wanda Stuart, que me encantou com a sua garra, a sua força e presença em palco. A sua voz pode não ter ganho o passaporte para chegar às gentes de Dusseldorf, mas ninguém no Teatro Camões lhe ficou indiferente. Nota positiva ainda para Carla Moreno, que deu show. Uma actuação muito bem conseguida, em que a garra e força da sua voz se notou. “Foi fera”! Estas seriam, a meu ver, as duas únicas canções que nos representariam decentemente no Festival da Eurovisão.

Para além de Chegar à Tua Voz e Sobrevivo, gostei também de São os Barcos de Lisboa, com um afinado Nuno Norte e das primeiras a pisarem o palco do Teatro Camões, Sete Saias, que com uma música típica trouxeram muita alegria.

Do lado negativo, destaco A Luta é  Alegria, que acabou por se sagrar vencedora e que, no meu entender, de música não tem nada. Um tema revolucionário que acabou por ter alguns votos do júri nacional e que conquistou o passaporte. É por estas e por outras que nos bastidores se ouviram tantos assobios e que o Teatro Camões ficou quase vazio quando interpretaram a música da vitória.

Filipa Ruas e a sua Tensão também foram muito más. Se anteriormente já não tinha um grande fascínio pela música, quando a vi em palco ainda fiquei a gostar menos. Perdoem-me os fãs, mas aquilo que se viu mais parecia uma actuação de um qualquer cantor pimba num programa de day-time da televisão portuguesa. Como ouvi tanta gente dizer o que mais se recorda deste tema é a parte “4,3,2,1…”. Talvez a disposição em palco tenha sido o grande alicerce de tão má actuação, no meu entender, claro está.

Por fim, também não posso deixar de dar destaque a Bom, Bom, Yeah, de Axel, que foi o momento ainda mais pimba da noite. Alguma vez aquele tema poderia representar Portugal na Alemanha? Jamais! Merecidos os poucos pontos que receberam. Ver Axel a puxar pelo público como se estivesse num qualquer concerto de terriola também foi deveras mau, mas é o normal.

Prestações à parte, resta-me dizer ainda que ouvir histórias de bastidores é sempre fantástico. Será que alguém sabia que o Festival poderia não se ter realizado porque algumas pessoas tinham o ego demasiado inchado? Ou que havia determinados concorrentes de talent-shows da nossa televisão que se passeavam pela plateia como se fossem grandes estrelas internacionais? O que me ri a acompanhar determinadas situações.

É por estas e por outras que no próximo ano quero estar lá novamente! É que só quem lá esteve sabe o que se sente. Os nervos da votação, a alegria de gritar e puxar pelo nosso concorrente favorito é inquestionável. Um grande obrigado ao Paulo Teixeira de Sousa e ao André Costa que me proporcionaram uma noite tão fantástica!

Tiago Henriques

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