A Entrevista

A Entrevista – Ana Malhoa

Ela começou no A e nunca mais quis parar. Desde pequenina que se iniciou nas lides artísticas pela mão do seu pai. Aos 6 anos subiu pela primeira vez ao palco e a partir daí foi sempre a bombar. Ana Malhoa é hoje uma das cantoras mais importantes da música portuguesa e uma das artistas que arrasta mais fãs aos seus concertos. No ano em que comemora 30 anos de uma carreira brilhante, a mulher mais «turbinada» de Portugal vê a sua história contada numa entrevista onde vão ser revelados aspetos importantes da sua vida artística e pessoal. Já disponível em http://bit.ly/1Dcvatz.

Tens feito imensos progressos na tua carreira. Foi esta a Ana Malhoa que idealizaste quando eras pequenina?

Quando somos pequeninos idealizamos muita coisa, mas sempre sonhei ser cantora. Já lutava para que as coisas acontecessem, já ligava para os diretores das editoras. É óbvio que há coisas mais surpreendentes, há outras que não te surpreendem tanto e que acabam por te ajudar também a conheceres o teu caminho. Mas eu sinto-me muito feliz, principalmente porque o meu público tem-me acarinhado e tem-se mantido. Tenho conseguido ter cada vez mais público e isso é ótimo.

Sentes que toda uma geração cresceu contigo?

Sinto que fui a babysitter de muitas pessoas [risos], porque acabavam por passar os fins-de-semana na minha companhia. Sinto que o meu grande público é aquele que cresceu, e que mesmo acabando o Super Buereré continuaram a acompanhar a minha carreira. Poderia ser um bocadinho mais complicado se eu não soubesse evoluir ou fazer coisas diferentes. Poderia ter perdido esse público, mas sinto que consegui manter.

A música «Começar no A» continua na memória dos portugueses. Isso talvez seja a maior herança que o Super Buereré te trouxe.

Claro que sim. Não só isso, mas todas as boas recordações com que passei cinco anos a fazer aquele programa. Um programa que dura cinco anos não é um programa que dura seis meses. Há programas que nem chegam a um ano. Portanto, acaba por ser cinco anos de evolução do próprio apresentador, das crianças que vão crescendo e vão «exigindo» também coisas diferentes. E foi isso que marcou totalmente este programa de referência.

Também tu és uma referência. És um ícone da televisão portuguesa.

O facto é que cada vez que vou à televisão existem sempre realmente grandes audiências. E vocês que são experts na matéria sabem ver e verificar toda essa situação. Hoje em dia não faço parte da apresentação, mas enquanto convidada sou sempre muito respeitada e isso faz-me sentir muito bem. Eu dou muita importância aos meus fãs e estou constantemente a agradecer, porque se eles não existissem eu não poderia fazer aquilo que mais gosto de fazer na minha vida, que é cantar. Todas as pessoas que têm essa paixão imensa pela música sabem bem aquilo que eu estou a dizer.

Apresentaste O Grande Pagode na RTP, o Super Buereré na SIC e mais tarde o Domingo Fantástico na TVI. Tens saudades da televisão?

Eu adorava fazer novamente um programa. Tenho sido convidada, têm aparecido projetos para concretizar, mas que eu não me identifico na totalidade. De alguma forma, em algum ponto, vão contra aquilo que é a direção da minha carreira. E aparecer só por aparecer não me apetece, não faz sentido para mim. A televisão seria realmente um projeto muito aliciante se fosse de acordo com aquilo que eu quero realmente fazer e que seja a Ana Malhoa na sua essência. Eu acho que tudo tem o seu tempo, tudo tem o seu timing perfeito.

E também resta-te pouco tempo…

[risos] Óbvio! Estou muito concentrada na minha carreira musical. São 30 anos que não são dez anos. Não é um ano, não comecei agora. Tenho muita coisa para fazer. Todos os dias trabalhamos (eu e o Jorge) com as pessoas que fazem parte da Paradise Entertainment para que as coisas possam acontecer da melhor forma. Porque quando te tornas um artista independente, as coisas têm um grau de exigência completamente diferente, uma responsabilidade também por aqueles que estão à tua volta. Mas é uma energia muito boa, a minha equipa é muito coesa.

Qual seria o programa que te daria gozo fazer?

Algo totalmente relacionado com a música. O Domingo Fantástico na TVI acabou por ser um programa muito musical, mas também de cariz solidário. Isso é uma vertente que seria aliciante também (puder ajudar). Seria por aí… Um programa muito virado para a música, para a solidariedade, para a atualidade, para aquilo que se faz no mundo, com um sabor muito português.

Gostavas de representar Portugal na Eurovisão?

Representar o meu país seria fantástico, mas para mim não faz sentido porque eu não vejo a música como concorrência ou como concurso. Vejo, sim, a música como um ato de arte e como algo que passa uma mensagem e, neste caso, que representaria um país. Jamais para mim faria sentido participar no Festival da Canção em Portugal, mas sim representar Portugal além-fronteiras. Aliás, como faço ao longo destes 30 anos. Sentir-me portuguesa em qualquer parte do mundo é fantástico. Porquê? Porque ao longo destes 30 anos de carreira tenho tido a oportunidade de viajar pelo mundo inteiro e conhecer comunidades fantásticas, portugueses trabalhadores e super honestos, aventureiros e empreendedores.

Há muito tempo que tens «furado» por um mercado estrangeiro. É um caminho que tem dado frutos?

Eu acho que as coisas têm o seu processo natural e não sou eu que tenho de forçar as coisas a acontecerem. Acho que as coisas vão acontecendo e as pessoas vão realmente se apercebendo daquilo que é. Aqui em Portugal já todas as pessoas conhecem, mas do outro lado foi um trabalho que eu comecei do zero. Tem tido um sabor muito especial para mim, essa pequena divisão. Mas nunca quis badalar muito aquilo que estava a fazer lá fora, como gravar com um produtor que já ganhou imensos Grammys e que já trabalhou com Alejandro Sanz, por exemplo. É o Luny Tunes, um produtor nº1 do mundo a nível do reggaeton.

Luny Tunes! O teu grito de guerra.

Luny Tunes [risos]! Todos os artistas (Don Omar, Daddy Yankee…) têm esse grito de guerra quando gravam com ele. E para mim é um prazer puder estar a trabalhar com o Luny Tunes e ele ter realmente acreditado no meu talento, referenciar-me como a artista mais latina da Europa, como a voz feminina do reggaeton. Acho que não há «prémio» maior do que ter um produtor número um a nível mundial dizer que eu sou a voz feminina do reggaeton.

Sentes que às vezes podes ser um pouco desvalorizada em relação à tua voz por seres «imagem» e «show»?

O verdadeiro fã acho que não. Aquele que desconhece é óbvio que possa pensar dessa forma. Mas eu acho que não é só em Portugal, é no mundo inteiro. Vês grandes críticas também à Beyoncé, à Shakira, à Jennifer Lopez, porque têm realmente imagens muito bonitas, fortes e marcantes. São mulheres muito poderosas e que as pessoas acabam por desvalorizar isso, o que não acontece com um homem, porque o homem mesmo sendo muito bonito, pode até cantar menos. E porquê? Porque nós, mulheres, somos umas queridas e achamos sempre que é tudo um máximo e que é tudo espetacular. É óbvio que o fã que é fã e que tem conhecimento da situação acaba por valorizar.

Gostas de ousar e de fazer diferente, gostas às vezes de ir um bocadinho mais além. Esse teu lado vanguardista já te trouxe alguns dissabores?

Não tenho que me preocupar com isso. Jamais faria qualquer coisa com medo da preocupação de terceiros. Faço sempre com respeito. Respeito principalmente a minha ideia e aquilo que quero fazer, e sem querer nunca ferir outras pessoas. Não faço para chocar, não faço para provocar. Faço porque sou eu e porque me apetece. As pessoas só têm é que respeitar, eu não estou a desrespeitar ninguém. Agora, há quem goste, há quem não goste… Os gostos não se discutem.

Durante o verão vi os vídeos que fazias em palco. Como é que é ter uma multidão de pessoas a gritar «Ana Malhoa» e a cantar os teus temas?

Acho que lançei uma moda em Portugal [risos]. Eu tinha a necessidade de mostrar ao grande público, àqueles que não têm oportunidade de ir a um espetáculo, de perceberem o que é o espetáculo (a essência do espetáculo, estar com o público a vibrar, a cantar) e o outro lado, que era o filmar o público a cantar comigo. Portanto, ali o público é a principal estrela.

Todos os vídeos que eu vi era gente a perder de vista. Incrível…

Obrigada, fãs, por encherem por repleto os meus espetáculos! É sempre um desafio. Cada espetáculo é um espetáculo. Temos um alinhamento, mas há sempre qualquer coisa especial. E eu gosto de filmar esses momentos. Adoro a loucura total do espetáculo, a energia, a comunicação. Porque é aquilo que eu mais gosto de fazer, é estar em cima do palco e transformar duas horas em um momento único para as pessoas que tiram um bocadinho do seu tempo para irem ao meu espetáculo.

Os teus espetáculos são exigentes a nível físico. Isso tudo requer uma grande preparação.

Sempre a bombar, não páro [risos]! Sim, esta perninha tem muita força.

Tens a ajuda do Jorge. É a área dele, o desporto.

Sim, a área do Jorge é o desporto, mas hoje em dia também já sei treinar sozinha.

Já podias dar uma aula de fitness.

Completamente! É sempre bom estar apoiada por profissionais. Isso é uma dica para todas as meninas que querem começar a treinar ou que já treinam. Recorram sempre à opinião dos profissionais, porque muitas vezes nós achamos que estamos a fazer o melhor, mas podemos estar a prejudicar outras situações.

Existe uma Ana Malhoa artista antes e depois do Jorge?

Diferente, muito diferente. A artista e a Ana Malhoa antes do Jorge era uma jovem. O Jorge apareceu numa fase de transição da minha vida, enquanto adolescente mulher. Depois acabei por transformar a minha vida enquanto mulher, enquanto mãe. E crescemos juntos, daí esta nossa relação tão saudável, porque, mesmo vindos de mundos diferentes, acabámos por nos adaptar muito bem um ao outro e saber gerir a nossa vida e evoluir. Não te posso dizer que existe uma Ana antes e uma Ana depois, existe uma evolução da Ana.

E a mãe Ana Malhoa?

Ih… essa [risos]! A mãe Ana Malhoa é uma mãe muito orgulhosa. Tenho uma filha fantástica, que é a minha melhor amiga.

Está tão gira como a mãe.

Está mais bonita ainda [risos]. A India é uma menina muito sociável, muito inteligente, muito responsável. E isso faz-me sentir muito bem e menos preocupada, porque muitas vezes temos essa preocupação permanente. É uma menina muito madura para a idade que tem. Enquanto artista, a India é uma artista a evoluir, a desenvolver. Acho que ela tem o seu caminho, as suas escolhas, muito ciente daquilo que quer fazer. Portanto, deixamos que ela tenha essa liberdade, porque ser artista é mesmo isso – é ter a liberdade de escolher e fazer aquilo que nos apetece fazer. Óbvio que nós, enquanto pais, vamos orientando.

«Turbinada» foi uma das palavras mais ditas no ano de 2014…

É muito engraçado. Cada vez mais os meus fãs sabem que eu trabalho música a música, ou seja, não faço um álbum só por fazer. Acho que representa muito bem aquilo que eu quero fazer, um bocadinho fora da tendência de outros artistas. Sinto-me muito feliz por fazer reviver esta palavra que estava no dicionário [turbinada], mas que não era tão utilizada. E hoje em dia muitas pessoas vêm ter comigo: «Ana, estou sempre a utilizar aquela palavra». O «Tá Turbinada» tornou-se um hino. E eu sinto isso também, de imensas situações do dia a dia que a música marcou; ou porque começaram a namorar ou estavam numa festa e quando a música começou a tocar foi toda a gente para a pista dançar.

E hoje em dia, com toda a informação que temos, com tantos artistas que há, consideras que é mais difícil criar um hit?

Hoje em dia há sempre muita informação, cada vez mais artistas também, mais músicas. As coisas acabam por ser muito mais rápidas a acontecerem. E fazer sucesso, manter uma carreira, marcar uma música é realmente mais difícil.

O que é que tens reservado para o futuro?

Tenho agora um novo single, «Solo Tu», uma colaboração com o Manolo Alayeto, um cantor venezuelano. Ele é dado como um novo Ricky Martin. É uma mega profissional, tem estado a fazer também uma digressão com o Julio Iglesias Jr. É um excelente músico, um excelente cantor, com uma imagem muito bonita. As meninas vão ficar «piradas» [risos]!

O Manolo Alayeto vai fazer parte dos teus espetáculos?

Também. Tal e qual como fiz também com o D-Snow. Estamos a estruturar toda essa parte dos espetáculos. Mas mais novidades vêm por aí… Não fica por aqui!

Um sonho que tenhas a nível profissional? Algo que gostavas de alcançar.

Há tanta coisa por fazer. Tenho imensas ideias, imensos sonhos por realizar. O meu maior sonho continuar a cantar e fazer carreira. Cada vez mais será difícil manter esse patamar, essa linha. Portanto, ter saúde, ter esta vontade, esta paixão que eu tenho pela música e ter os meus fãs. Vocês são os principais guerreiros da minha vida.


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