A Entrevista

A Entrevista – Ricardo Pereira

Ricardo Pereira A Entrevista

Ricardo Pereira A EntrevistaTem 33 anos e é certamente o ator português mais conhecido no Brasil. Contratado da TV Globo, Ricardo Pereira passa mais tempo em terras de Vera Cruz que em Portugal. Mas foi durante uma temporada no nosso país que A Televisão esteve à conversa com o ator. Entre o fim da exibição da peça teatral Um Sonho Para Dois e o arranque da rodagem do filme Cadências Obstinadas, Ricardo Pereira arranjou tempo para falar do teatro, das novelas, da ficção portuguesa e brasileira, da apresentação e do futuro.

Atualmente, Ricardo Pereira pode ser visto como Vicente na novela Aquele Beijo, em exibição no canal Globo. Depois de ter surgido na sua segunda participação em Dancin’ Days, o ator promete voltar a aparecer nos ecrãs nacionais… nesta mesma produção. Com quase 20 novelas no currículo, assume que gosta deste género de ficção e que, enquanto ator, vai trabalhar em qualquer lugar do Mundo. Mas o futuro promete não passar só pela representação…

[quote]Eu gosto do género novela, acima de tudo, assumidamente.”[/quote]

A Televisão – Terminou, no fim do ano, a apresentação de Um Sonho Para Dois, onde atuou ao lado da atriz brasileira Fernanda Souza. Como foi a aceitação do público a esta peça de teatro e, em especial, o público português?

Ricardo Pereira – Nós estamos a trabalhar na peça desde março no Brasil. Começámos a ensaiar, estávamos a fazer a novela Aquele Beijo, ainda – estávamos na reta final da novela –, e surgiu um texto. Há muito que eu queria fazer teatro no Brasil e não tinha conseguido, a nível de datas, ter espaço para o teatro. Até que surgiu ali uma brecha entre dois projetos na televisão e se me pudesse meter já no teatro seria a oportunidade perfeita. Pedi um texto especificamente a um autor que tem sido um autor bombástico nos últimos tempos no Brasil, que é o Rafael Primot, e ele apareceu-me com este texto. E começámos a ensaiá-lo. Pensámos na Fernanda, convidámos a Fernanda para uma primeira leitura e ela fez uma leitura brilhante. Nós os dois logo no início encaixámos e começámos a preparar a peça. Andou pelo Brasil inteiro, por todas as capitais de Estado, menos Rio de Janeiro e São Paulo, por opção nossa, porque aí vamos ter que ficar temporadas, pelo menos três meses em cada lado. E então optámos por viajar o Brasil todo, com uma aceitação extraordinária, com um público de classes e idades diferentes… Porque é uma peça que realmente agrada a todos os tipos de público. E depois surgiu a hipótese de trazer – era um dos nossos projetos iniciais – a peça até Portugal. Nós somos um bocadinho mais atrevidos e queremos levá-la a todos os países de língua portuguesa! Trouxemo-la para Portugal, obviamente a um público que já está acostumado a teatro, encaixámos neste género de comédia/policial/história de amor/mistério, num teatro que está habituado a grandes públicos, como o Villaret, e fomos a peça de teatro mais vista. Foram muitas casas cheias, foram muitos públicos diferentes. Obviamente que contámos também com a promoção da SIC e da TV Globo, que nos fizeram chegar a públicos tão diversos. E foi muito bom ver o Villaret cheio… foram 30 espetáculos incríveis. Recebemos entretanto o convite e estamos a ponderar voltar para fazer mais espetáculos em Portugal.

E o público português é muito diferente do público brasileiro?

O público brasileiro faz mais coisas durante o espetáculo, ou seja, é mais irrequieto, mais agitado. Tem a ver, naturalmente, com a própria expressão deles e a forma deles serem, mais irrequietos. E o português um público que seguia mais o espetáculo do início ao fim, como o português é, sempre a olhar, atento, a ver tudo. Na verdade, depois a reacção nos momentos cómicos da peça era praticamente a mesma. Isso é que nos leva a crer que esta peça pode chegar a qualquer lugar e ser um sucesso em qualquer lugar.

E trabalhar com a Fernanda Souza, como é que foi?

Eu já tinha feito uma participação numa série que ela fazia, o Toma Lá Dá Cá, onde fizemos um par romântico em que eu era um ex-namorado dela. Tenho encontrado a Fernanda ao longo da minha carreira no Brasil, em vários programas da TV Globo. Depois começámos a fazer a novela Aquele Beijo, onde ela fazia de minha cunhada. É uma pessoa que eu conheço há muitos anos no Brasil, é uma excelente atriz cómica e uma excelente atriz, acima de tudo, com quem eu tinha vontade de trabalhar de uma forma mais intensa. Foi a parceira ideal. Foi uma guerreira, porque não é fácil também estar longe da família como esteve.

E esta peça, não vai ficar por aqui?

Não. Eu vou começar com um filme agora, com o Paulo Branco, um filme que se chama Cadências Obstinadas, que tem Fanny Ardant como realizadora. Vou estar até ao início de março com este filme, é um filme falado em francês, rodado maioritariamente em Lisboa, e a Fernanda vai estar a fazer um filme também. Portanto, há aqui uma pausa necessária para ambos. Esta peça está programa para o segundo semestre para o Rio de Janeiro e São Paulo. Serão cerca de dois ou três meses em cada lado, pois não poderá ficar mais tempo porque estará a concorrer com 100 peças em cada lugar e são 100 peças muito boas.

Passando para a ficção na televisão, a novela Aquele Beijo, onde é protagonista, está agora a ser exibida no canal Globo. Qual é o seu sentimento para com esta novela?

A novela está a ser um sucesso aqui. Aliás, o canal Globo está a ser um sucesso aqui. É uma novela que está a ser um sucesso porque o horário em que passa é muito bom, porque é um produto que ainda não tinha passado em Portugal e porque é uma novela do Miguel Falabella. É uma novela que teve bastante sucesso lá no Brasil e foi muito divertida. O Miguel retrata a sociedade de uma forma muito importante e de uma forma muito verdadeira dos subúrbios do Rio de Janeiro. E depois tive a oportunidade de trabalhar nesta novela com atores extraordinários. Agora as pessoas vêm muito  ter comigo para falar da novela e tem sido uma experiência muito boa perceber que as pessoas têm gostado.

Esta foi já a segunda novela do Miguel Falabella que protagonizou, depois de ter feito o João de Negócio da China. Gosta dos textos dele?

Eu gosto muito do Miguel como pessoa e ele é um grande amigo. Ao todo, entre participações e novelas concluídas, eu vou na minha 18.ª novela. Eu gosto do género novela, acima de tudo, assumidamente. É uma coisa que me dá muito prazer fazer, é um desafio diário. Fazer novela é bastante difícil. É bastante difícil porque é muito exigente e exige uma preparação muito grande, não só de memorização dos textos, como do entendimento da história por gravarmos de manhã à noite e fazermos 30 a 40 cenas que na novela não são seguidas. Eu tenho tido a oportunidade de no Brasil, e aqui também, de fazer bons papéis. No Brasil fiz o meu terceiro protagonista e o meu segundo com o Miguel. O Miguel é uma pessoa extraordinária, é um workaholic, é um homem que não consegue parar de trabalhar e eu revejo-me, porque gosto muito de trabalhar. E depois os textos que ele escreve entram muito facilmente dentro do ator. Que venham muitos mais papéis com o Miguel a escrever, seja protagonista ou não.

Com esta novela voltou a contracenar com atores portugueses, como o Joaquim Monchique, Maria Vieira e Marina Mota. É bom ter o sotaque de Portugal nas produções do outro lado do Atlântico?

Eu fico feliz, obviamente, eu adoro. Com a Maria Vieira fiz a minha segunda novela no Brasil e eu nunca tinha tido a oportunidade de trabalhar com ela em Portugal. Para mim, a Maria Vieira é uma grande amiga e uma grande atriz, com quem eu queria ter já trabalhado. Com a Carla Andrino também nunca tinha trabalhado quando fiz Negócio da China, com o Monchique também não tinha trabalhado aqui [Portugal], com a Marina Mota também não tinha trabalhado. Portanto, eu tenho tido oportunidade de trabalhar com grandes atores portugueses que são convidados para fazer novelas no Brasil. Para mim, logo de caras, é uma mais-valia, porque eu estou constantemente a aprender, a absorver tudo o que eles me podem trazer. Para mim foi um upgrade ter a oportunidade de trabalhar com eles. Depois, como português, obviamente que fico feliz, porque são mais atores a ir para fora e a trabalhar fora, a brilharem e a mostrarem o seu talento.

 

E neste seu regresso a Portugal aproveitou para gravar uma nova participação para a novela Dancin’ Days.

Foi a terceira vez que eu gravei. Gravei em junho/julho, depois em setembro e agora voltei a gravar. Deu ao todo cerca de 30 episódios de novela. Quando o autor – para além de um grande autor é um amigo –, o Pedro Lopes, me convidou para uma novela que eu conheço desde que eles foram ao Brasil falar com a Globo para escolher uma novela, eu disse «Eu quero fazer alguma coisa». Eles criaram uma personagem para mim muito importante, em que apareceu primeiro como um pai que não quer aceitar uma filha porque seguiu a vida dele – uma atitude que mesmo contestada poderia ser aceitável –, depois volta porque tem um problema com a família dele e o filho que precisa de um transplante de medula faz com que ele se queira reconciliar – o que denota um comportamento um bocadinho estranho, uma pessoa um bocadinho egoísta de mais, mas que até aí pode ainda não ser condenável – e agora, a parte final, em que ele se descontrola completamente… e mais não posso dizer! Há um descontrolo familiar tremendo, depois de tudo isto, que leva esta personagem, o Salvador, para um buraco. Foi uma participação que me deu muito prazer. Aproveitei o facto de estar aqui a fazer teatro e concluí uma novela de sucesso.

E ficou por aqui esta participação ou ainda há a possibilidade de poder voltar a Dancin’ Days?

Ainda há a possibilidade de ter uma entrada fulminante no último episódio. Vamos ver…

Esta é também uma forma de matar as saudades de fazer ficção em Portugal, tendo em conta todas as diferenças que há entre a ficção nacional e a do Brasil?

Não é assim tão diferente como se acha. Obviamente que tem diferenças, pois a Globo é a fábrica das novelas do Mundo, são onde as novelas crescem, em que são vendidas para 180 países e, portanto, são dobradas nas diversas línguas. Mas hoje em dia as nossas novelas, aliás, há muitos anos, estão com uma qualidade extraordinária. E a prova disso são os prémios que ganhámos e o reconhecimento obtido internacionalmente, portanto, obviamente, fazemos novelas muito bem. A comparação é muito clara e resume-se a números: um país da dimensão de um continente como o Brasil, naturalmente terá receitas publicitárias para um canal de televisão muito maior que aquelas que um canal de televisão em Portugal terá. Obviamente que o orçamento que uma novela tem no Brasil é muito diferente daquele que em Portugal tem. Depois a forma de fazer é muito parecida, os atores são ótimos em cada lugar, as histórias são adequadas à realidade de cada país, portanto eu acho que as diferenças estão nas condições e na disponibilidade financeira que um canal tem, diferente do outro.

Então nós é que fazemos muito bem com muito menos?

Essa é uma característica grande do português, não é? Nós estamos habituados a fazer com pouco coisas brilhantes. E fazemos maravilhosamente bem as novelas. Eu acabo não só por matar saudades, como também acompanhar e fazer parte da história da ficção nacional. Obviamente que a minha carreira tem passado mais por lá por fora, até mesmo no cinema, e eu como ator vou trabalhar em qualquer lugar.

Para além de ator é também apresentador, onde está à frente do E-Especial ao lado de Sofia Cerveira. É fácil conciliar as duas coisas?

Tem sido sempre muito fácil conciliar. São cinco anos de programa e acho que a seguir ao Jornal da Noite, na SIC, é o programa de maior longevidade! Isso tem alguma responsabilidade, é um facto, porque somos líderes desde o primeiro dia em que começámos a fazer aquele magazine, magazine que fala e foca muito os produtos da Globo que são apresentados na SIC, como se foca muito na grelha da SIC. E tem-me dado muito prazer. Tenho tido também outros projetos na apresentação, nomeadamente em programas ao vivo na SIC, programas ao vivo na Globo, participações como apresentador convidado… Portanto, a apresentação é algo que eu adoro. Eu gosto de comunicar, eu gosto de pessoas, eu gosto de falar e eu gosto de entreter. A Globo também me tem convidado e no último ano apresentei inúmeros programas na Globo. Fazer parte do E-Especial é um privilégio e acabo sempre por ter tempo: às vezes gravo com a Sofia aqui, outras vezes gravo eu lá e a Sofia cá e outras vezes gravamos os dois lá. E no Brasil, a curto prazo, surgirão novidades na apresentação, também.

E para este ano, o que está previsto, para além dos projetos que já falou?

Está prevista mais uma peça de teatro para além desta [Um Sonho Para Dois], que vai estar numa temporada no Rio de Janeiro e São Paulo, está previsto mais apresentações de programas, mais um filme depois deste [Cadências Obstinadas] e talvez uma novela. Portanto, há um ano muito cheio de trabalho, um ano muito bom. Depois deste ano, se tudo correr como estou a prever, vou sentir-me ainda mais realizado.

  • Grande entrevista, e parabéns Ricardo por tudo o que foste conseguindo ao longo da tua carreira, muitos criticam as novelas do canal para o qual trabalhas porque queriam era estar no teu lugar..

  • jessica

    Um excelente ator.Parabéns Ricardo.Sucesso em todas as areas da sua vida.Sou uma adimiradora do seu talento,de voce como homem(que por sinal é muito lindo…rsrsrs),de voce como pai,esposo e filho.Sucessos.

  • helen

    parabems voce merece aind teve de fazer muita mais novelas o que o plubico gosta lindo

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