A Entrevista

A Entrevista – Gabriela Sobral

A Entrevista - Gabriela Sobral

Foi no verão de 2010 que Gabriela Sobral se mudou para a SIC, deixando para trás a TVI, estação onde foi, durante anos, Diretora de Produção Nacional e considerada o «braço direito» de José Eduardo Moniz. Na estação de Carnaxide veio ocupar um cargo semelhante e é hoje responsável por muitas produções, da ficção ao entretenimento, do canal.

Na passada sexta-feira, dia 9, foi apresentada à imprensa a próxima novela portuguesa da SIC, «Dancin’ Days», uma coprodução com a TV Globo, levada a cabo pela SP Televisão. A Televisão esteve no local e foi aí que conversou com Gabriela Sobral. A Diretora de Produção da SIC falou da nova produção da estação, do «Ídolos», das audiências e da próxima rentrée.

[quote]Esta dicotomia entre mãe biológica e mãe adotiva, duas mulheres a lutarem pela mesma filha, é um tema que está na agenda do dia.”[/quote]

A Televisão – O facto de «Laços de Sangue» ter sido um sucesso mostra que faz sentido esta coprodução?

Gabriela Sobral – Faz todo o sentido. A Globo é uma televisão com provas dadas na televisão, a maior produtora de ficção mundial, e para nós é uma ótima parceria termos em coprodução uma empresa como a Globo: traz o seu know-how, a sua experiência e toda a ajuda que nós precisamos.

Quantas outras novelas estiveram em cima da mesa para poderem ser adaptadas?

A TV Globo trouxe vários textos, várias propostas que foram equacionadas por nós. Alguns dos textos eram textos mais recentes, novelas que tinham cinco, seis anos e que estavam ainda muito na memória dos portugueses por terem sido vistas em Portugal. E, portanto, não eram aconselháveis por haver sempre aquela possibilidade de comparação. Então, optámos por um texto mais antigo. Dos textos antigos este era o que fazia mais sentido; é um texto que está no imaginário dos portugueses, pelo menos aqueles que são a minha geração – eu lembro-me de ter visto a novela e conheço perfeitamente a novela –, e é uma história universal. [pullquote_left]Consegui, exatamente, reunir o elenco que queria.”[/pullquote_left]É uma história que podia acontecer em qualquer parte do Mundo. Esta dicotomia entre mãe biológica e mãe adotiva, duas mulheres a lutarem pela mesma filha, é um tema que está na agenda do dia – nós conhecemos várias histórias que se passaram neste país e no Mundo – e o tema central da novela é um tema que faz todo o sentido para a nossa atualidade.

Muita coisa vai mudar por ser adaptada à nossa realidade?

A história central é esta. Todo o resto da adaptação é uma adaptação que tem a ver com a nossa realidade atual, com a realidade portuguesa, e com a própria cultura portuguesa. Será muito atualizada e muito adaptada.

E para esta novela conseguiu reuniu os atores todos que queria?

Consegui. Consegui, exatamente, reunir o elenco que queria. [risos] Foi divertido porque havia aqui, pelo menos, dois «namoros» já há muito tempo. Já há muito tempo que eu andava a «namorar» dois dos protagonistas, que são atores que não fazem ficção habitualmente: no caso da Soraia Chaves é o primeiro desafio dela – fez uma «perninha» em «Rosa Fogo» para testar, ela gostou da experiência, eu também gostei da experiência e, portanto, sabíamos ambas que quando houvesse uma oportunidade ela faria uma novela – e o Albano [Jerónimo] é um ator que eu admiro muito, que sempre quis trabalhar com ele, que noutras alturas não foi possível e agora criaram-se as circunstâncias. Acho que são dois nomes novos, dois nomes frescos na ficção e dois grandes atores.

A Sofia Cerveira é também uma das apostas desta novela.

Ela fez uma «perninha» em «Laços de Sangue», uma coisinha muito pouca onde fez dela própria, e agora é um papel mais forte, maior. A Sofia sempre demonstrou vontade de trabalhar na representação, fez cursos e worshops sobre representação na Globo e é uma pessoa que nós achamos que tem tudo para poder iniciar o seu percurso na área da ficção. Fez uma série de castings que correram muito bem, ela está muito contente e nós estamos contentes com a personagem dela.

E está em cima da mesa a possibilidade de atores brasileiros entrarem nesta novela?

A Globo está a pensar nisso e já nos fez algumas propostas. Nós também gostaríamos muito e já falámos até de nomes. Neste momento eles estão a avaliar a possibilidade dos atores, na vida profissional deles, terem tempo ou não de vir a Portugal fazer um «pezinho». Mas há essa possibilidade em cima da mesa, sim.

Em «Laços de Sangue» o Aguinaldo Silva [autor brasileiro] supervisionou o texto da novela. Houve a intenção de ter o Gilberto Braga [autor da versão original de «Dancin’ Days»] a supervisionar o texto desta produção?

[pullquote_left][Ter duas novelas em horário nobre] era o meu sonho.”[/pullquote_left]Sim, mas acabou por não se concretizar. Mas vai haver um núcleo de autores da Globo que vai supervisionar a novela, que vai ler os episódios. Há uma pessoa que já está a fazer isso, que é o Guilherme Bokel, Diretor de Entretenimento e Ficção Internacional da Globo, que já leu os guiões e fez os seus comentários.

A produtora entre a SIC e a TV Globo sempre irá avançar?

Neste momento nós, o país, as televisões e as empresas, estamos a avançar uma crise financeira muito grande e não há espaço para criar empresas. Há um compasso de espera, vamos esperar para ver como é que o mercado se comporta nos próximos tempos e fazer o menor despesismo possível. O lema é poupar, esmagar orçamentos, reestruturar orçamentos e fazer as coisas um bocadinho mais baratas. Neste momento nós estamos a avaliar mensalmente o comportamento do mercado. E o que é certo é que a publicidade caiu brutalmente nestes últimos dois meses e, portanto, não sabemos o que é que vem aí. Não faz sentido nenhum estarmos agora a pensar em abrir produtoras de televisão quando nós não sabemos como é que o mercado se vai comportar até ao final do ano.

Mas ainda existe essa vontade?

Claro que existe. Existe essa vontade e o projeto está na cabeça da SIC e dos seus dirigentes.

E ter duas novelas portuguesas em horário nobre? [pullquote_right]Há uma relação muito emocional do espectador SIC com a marca «Ídolos».”[/pullquote_right]

Isso era o meu sonho. Para já não vai ser possível, são investimentos muito grandes que até ao fim do ano não serão possíveis. Em princípio, se as coisas não mudarem – e aquilo que nós ouvimos dos nossos economistas é que as coisas não vão mudar assim de um dia para o outro –, vamos ter que aguardar calmamente que passe esta crise para depois pensarmos nesse sonho de ter duas novelas em prime time.

Apostar no «Ídolos» e não no «Factor X» é como uma resposta ao atual mercado e pelo facto de ser mais seguro?

É certo que o «Factor X» era um formato um bocadinho mais oneroso, mas uma das razões por que optámos também pelo «Ídolos» foi porque este ano nós fazemos 20 anos. E o «Ídolos» é uma marca SIC muito forte que teve um grande sucesso no passado, em todas as suas edições, e portanto nós achámos que nos 20 anos devíamos ter uma grande marca a começar o semestre. E porque não o «Ídolos»?! Há uma relação muito emocional do espectador SIC com a marca «Ídolos» e nós vimos isso, por exemplo, no Porto, com o primeiro casting que fizemos. Apareceram milhares e milhares de jovens, todos eles sabiam ao que iam, porque o «Ídolos» não é nenhum formato novo, e estavam lá todos, de «pedra e cal». O que nós percebemos é que há ainda muito caminho para o «Ídolos». E depois conseguimos reunir uns jurados de peso e também foi interessante perceber que estas pessoas aderiram completamente ao nosso convite.

E porquê mudar o júri? Era importante?

Era, era muito importante haver aqui uma mudança, porque já são muitas edições. E porque também nos inspirámos um bocadinho nos «Ídolos» americanos que de repente fizeram ali um twist com a Jennifer Lopez e com o Steven Tyler e que foi um sucesso. E, de facto, nós sentíamos todos uma grande necessidade de mudança – não era nos apresentadores, achamos os apresentadores certos – e achámos que podíamos incrementar um bocadinho o programa e torná-lo um bocadinho mais apelativo com a mudança dos jurados.

Já viu imagens dessa fase inicial do «Ídolos»?

Já, já vi imagens, mas não vou revelar-lhe ainda nada… [risos][pullquote_right]Quando estamos em crise profunda parece que somos assolados de uma série de ideias, de uma série de recursos, de uma série de momentos criativos que, se calhar, noutras alturas, quando há mais dinheiro, as pessoas não se lembram.”[/pullquote_right]

E em relação à «polémica» do momento, as audiências…

Eu sobre isso não vou falar. Abstenho-me porque o nosso Director Geral é a pessoa certa para falar sobre isso, é a pessoa que está no meio das negociações e é o presidente da CAEM; ainda hoje [dia 9 de março] esteve duas horas a dar uma conferência de imprensa na RTPI e é a pessoa certa para falar sobre isso. Vamos deixar que as coisas se resolvam para depois falarmos.

Na próxima rentrée, em setembro, há a possibilidade de surgir um reality show?

Em relação a setembro, está tudo por avaliar. O mercado vai ditar um bocadinho o que é que se vai fazer no futuro. O mercado e a conjuntura económica! Nós estamos a «navegar à vista»: todos os meses olhamos para as performances das publicidades e as performances dos valores de grelha. No final de maio, início de junho, vamos ter que decidir o que vamos fazer no próximo semestre; até lá, estamos a avaliar uma série de formatos. Vamos agora para o mercado de Cannes ver e conversar com os nossos fornecedores. Temos imensas coisas pensadas, mas temos que perceber se fazem sentido na nova realidade financeira.

E como é que a Gabriela avalia o seu percurso na SIC?

Estou contente, estou muito contente. Ao fim de um ano e meio, acho que conseguimos chegar a uma série de patamares de qualidade e de excelência: ganhámos um Emmy, a ficção na SIC está cada vez mais forte e o entretenimento também. Estamos a ganhar aos poucos as batalhas. Ao fim de um ano e meio só posso fazer um balanço muito positivo.

E o que é que espera para o futuro?

Acima de tudo espero que o país mude, que haja uma retoma financeira, porque sem dinheiro não se faz grande coisa, embora a crise, muitas vezes, é motivo de uma grande criatividade. Quando estamos em crise profunda parece que somos assolados de uma série de ideias, de uma série de recursos, de uma série de momentos criativos que, se calhar, noutras alturas, quando há mais dinheiro, as pessoas não se lembram. Como não há dinheiro vamos ter que ser mais criativos. Foi isto que aconteceu e é isto que está a acontecer. Estamos inspirados, digamos assim.

O «Gosto Disto!» é uma prova disso…

É. Com menos meios faço um produto competitivo, adorável, muito engraçado, que as pessoas estão a aderir em massa e com as pessoas certas. Fomos à procura das pessoas certas e estamos cada vez mais a evoluir e a engrossar esse produto. O «Gosto Disto!» ainda tem um percurso grande pela frente. E é nessas lacunas financeiras que por vezes vamos criar alternativas engraçadas que de outra maneira não íamos pensar nelas, porque tínhamos dinheiro e íamos comprar o produto A, B ou C; como não temos, vamos ter que inventar.

E há alguma data prevista para terminar o «Gosto Disto!»?

Para já, não. Está na segunda temporada e vamos começar a terceira. Começámos a gravar esta semana a terceira e vamos temporada a temporada, série a série, avaliando as performances de antena. E depois, se as coisas correrem bem, provavelmente terá um percurso de vida um bocadinho maior.

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