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Hugo Andrade “Gostava de tanta coisa que é impossível…”

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Três meses após tomar posse da direção de programas da RTP, Hugo Andrade confessa em entrevista ao Correio da Manhã estar única e exclusivamente dedicado à “grande missão” que lhe deram.

Quanto à “herança” deixada pelo seu antecessor, José Fragoso, o irmão da também profissional da RTP, Serenela Andrade, diz ter sido “boa porque encontrei uma direcção organizada, com planeamento feito a alguma distância” mas também má porque “a minha vontade de imprimir alterações, em consequência dessa organização, será mais demorada do que gostaria”. Em relação à grelha também desenvolvida pelo atual diretor de conteúdos da TVI, Hugo Andrade diz que teria sido irresponsável mexê-la, ainda assim essa grelha “segura e bem planeada” estará só em vigor até dezembro deste ano, uma vez que a partir de janeiro surgirão novos programas e daí para a frente haverá um desafio constante de pensar “numa numa estrutura de programação para o futuro que seja um bocadinho diferente…”.

Em relação às telenovelas de que Fragoso totalmente dispensava no canal público, Hugo Andrade diz entender o seu ponto de vista e concordar que fazer telenovela para horário nobre não é função de uma estação pública. Dirigindo-se ao horário dos pós-almoço, o mais recente diretor de programas considera ser fundamental que exista ficção em português. Tal não acontecerá antes de setembro de 2012, uma vez que após o término das produções em exibição, já estarão escaladas as próximas e últimas. Quanto ao género, Andrade não se opõe à telenovela, mas considera também a hipótese de uma série longa ou uma minissérie.

Quanto ao panorama geral da televisão portuguesa, Hugo Andrade diz existir “uma oferta quase monotemática”, consequência do hábito que foi sendo incutido ao público português. Referindo-se à estação pública e às suas responsabilidades, o canal público devia programar sem olhar para a grelha dos privados, o que não tem acontecido por questões de “eficácia, quando mais gente está a ver, mais eficazes estão a ser. Tem provocado um bloqueio da criatividade e a passagem de públicos para o cabo, a internet, e até para a pirataria. Isto porque durante anos e anos os canais não criaram novidade. As consequências estão a sentir-se agora e vão sentir-se ainda mais no futuro.”

Os reality-shows não são uma alternativa da RTP e a solução para o prime-time de domingo é marcar pela diferença, mesmo que não haja resultados. Quanto a estes últimos, Hugo Andrade diz que as três generalistas estão a passar pelo mesmo e que “este ciclo não é possível de parar. É a vida. E estou a falar da TV generalista. Caiu e vai continuar a cair. As pessoas passam a ter mais opções e umas escolhem outras coisas. O segredo é tentar travar o processo, cativar as pessoas, mas é irreversível, não há aqui milagres. Mas também não é infinito, não vamos continuar a descer até ao zero. No espaço de dois anos os canais generalistas estarão todos entre os 18 e os 22 pontos…”. Quanto ao terceiro lugar e último lugar entre as três generalistas, o responsável pela programação da RTP diz que “gostamos de ganhar, mas preocupo-me mais com” o facto “de ter 14% a um domingo. É preciso reagir, uma das desvantagens do planeamento é que demoramos a reagir. Tenho uma programação estabilizada e para reagir tenho de a estragar, parar com projectos e não vou fazer isso.”

Quanto a perspetivas de futuro, Hugo Andrade “gostava de ter um grande formato de entretenimento de manhã, uma novela portuguesa à hora de almoço, um formato tipo ‘Sociedade Civil’ para o horário da tarde, gostava de ter o ‘prime-time’ com minisséries biográficas, históricas. Gostava de tanta coisa que é impossível… O que vamos tentar fazer é criar algum equilíbrio.”

Quanto ao facto de ser o último diretor “não me incomoda absolutamente nada. Fico contente por estar nestas funções num momento destes. Sinto que posso contribuir de alguma forma para que as coisas sejam bem feitas. Há três meses, quando me convidaram, sabia no que me estava a meter. Não há segredos, sabia que me estavam a desafiar mais para uma missão do que para uma função.”  Em relação a programar um privado, “não teria grande prazer. O desafio é tão ou mais difícil do que aquele que tenho, mas diria que é mais limitado, porque a diversidade de géneros que trabalhamos é mais estimulante, os privados têm menos margem. O trabalho deles não é fácil, não o invejo, mas acho que não o realizava. Mas estive dois anos na TVI e adorei.”

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