RTP

Com ‘bluff’ pode ganhar

Teatralizar. Construir uma história ardilosa para fazer crer ao adversário que se é outro alguém. Congeminar uma estratégia para ganhar através de “bluff”. Estas são as directrizes de “Jogo duplo” que a RTP1 estreia dia 25 em horário nobre.

Segundo José Fragoso, director de Programas da estação pública, “aliar entretenimento ao conhecimento” está na senda deste concurso, que tem em José Carlos Malato o seu apresentador. Efectivamente, os concorrentes têm de responder a perguntas de cultura geral. Todavia, o que está em causa não é aferir do seu domínio face às matérias em apreço, mas da capacidade de, sob pressão, encarnarem uma personagem, recorrendo à inventividade, cuja verosimilhança leve a acreditar que se está numa posição mais vantajosa do que o respectivo par, por forma a induzi-lo a desistir.

Interrogado se o modelo deste formato se insere no conceito de serviço público de televisão – releve-se que uma das suas premissas fundamentais é formar – José Fragoso responde que o concurso “tem características diferenciadoras e que o entretenimento também cabe na grelha da RTP1, constituindo-se como uma alternativa aos outros canais”.

Mas afinal, não se cultiva aqui uma certa apologia da mentira? “Trata-se de assumir um papel. É um jogo e as pessoas sabem disso. As crianças quando brincam ao monopólio recorrem a estratégias”, argumenta o director.

Se dúvidas havia de que os portugueses fossem dotados de sangue frio para levar até ao fim uma versão adulterada de si próprios, as mesmas foram dirimidas. “São realmente convincentes”, observa José Carlos Malato, que não tem acesso à verdadeira identidade dos concorrentes. “O público em casa é soberano, pois só ele tem acesso a toda a verdade”. Malato será coadjuvado por Ana Galvão, quem dará a conhecer o que realmente se está a passar, testando a reacção do concorrente eliminado.

Sim, até porque uma pessoa pode estar à frente no jogo e ser levado a desistir. Se dar respostas certas é um bom indício de segurança para um “bluff” confiante, e ajuda a acumular dinheiro, não é garante para se vencer. Por vezes, quem está em último, manipula o jogo e acaba por sagrar-se vencedor. Malato realça “a alteridade subjacente à táctica dos concorrentes” e acrescenta: “‘Jogo duplo’ contribui para desmistificar preconceitos”.

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