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A história de “Depois do Adeus”

Iniciaram-se na passada terça-feira as gravações daquela que é uma das grandes apostas da televisão pública para o final deste ano. Aproveitando o sucesso de Conta-me Como Foi, a RTP vai apostar em Depois do Adeus, uma série histórica e que vai retractar o que se vive no pós 25 de abril.

Cada episódio vai começar com um acontecimento relevante da época (do foro político ou social), recorrendo a imagens de arquivo da RTP. Mas quais serão os traços gerais desta trama?

Depois do Adeus conta a história de uma época refletida nas “estórias” de uma família que, de repente, se vê estrangeira no seu próprio país. Este é o retrato da família Mendonça, desde o dia em que “retorna” a um mundo onde nunca esteve e que nunca foi o seu, até encontrar o seu lugar; bem como o retrato de um novo Portugal que, tal como os Mendonça, tem de largar o passado e viver o futuro.

Conheça agora a sinopse. Todos os pormenores do elenco podem ser conhecidos aqui

Álvaro (José Carlos Garcia) e Maria do Carmo Mendonça (Ana Nave) tinham uma vida feliz em Angola. Álvaro era um empresário de sucesso e Maria do Carmo uma dona de casa tranquila. Juntos têm dois filhos, Ana (Catarina Wallentstein) e João (João Arrais), que estudavam e viviam a adolescência nas ruas de Luanda. Até que chegou a guerra civil e tudo se precipitou. Entre anúncios de independência, estala uma onda de violência e todo o bem-estar e a ordem estabelecida desaparecem.

Em julho de 1975, deixando para trás todos os pertences de uma vida de trabalho, a família Mendonça, juntamente com mais de quinhentas mil pessoas, embarca numa ponte aérea que marcaria o maior êxodo da história do povo português, rumo a uma terra que a maioria conhecia apenas das fotografias e a que chamavam então de “Metrópole”.

Em Lisboa, no pequeno apartamento de Joaquim (António Cordeiro) e Natália Cardoso (Fátima Belo), cunhado e irmã de Álvaro, os Mendonça encontram a base para a reconstrução das suas vidas. Porém, naquele verão quente de 1975, a integração não se adivinhava fácil. Com um Portugal subitamente reduzido às suas dimensões verdadeiras e empenhado num processo revolucionário que, em determinados momentos, deixaria o país num estado próximo da anarquia, a família tem de começar do zero, convivendo com estranhos que os recebem com desconfiança (na rua e mesmo dentro de casa) e lhes colam o rótulo de “os Retornados” (palavra incompreensível para os seus dois filhos, que nasceram em África). Álvaro tem de arranjar emprego e todos têm de sacudir o orgulho e aceitar a humildade, sofrendo em silêncio a nostalgia de tudo o que se viram forçados a abandonar.

 Álvaro, um sobrevivente, de espírito empreendedor, chega sem nada mas disposto a fazer tudo para “salvar” a família da miséria. À imagem de muitos portugueses que sofrem a atual crise económica, Álvaro tem de fazer pela vida e lutar contra o desemprego.

 Maria do Carmo é o elemento agregador da família Mendonça, apesar de sofrer muito com a tragédia da mudança e sentimento de perda, sentido nas pequenas coisas do dia-a-dia: no trato com a cunhada Natália (mulher conservadora e reprimida) e com as vizinhas, na falta de dinheiro, na falta de condições básicas de vida. Um desespero que a fará questionar, por vezes, até o seu casamento.

 Ana Maria e João caminham para vida adulta, descobrindo o amor, descobrindo-se a si próprios, tomando opções, cumprindo os sonhos. Ana Maria vai viver um romance atribulado ao apaixonar-se por Gonçalo (Tomás Alves), um estudante brilhante e o namorado da sua prima Luísa (Joana de Verona). João vai querer crescer da maneira mais rápida, vivendo a vida intensamente, na companhia dos amigos Paulo (João Maneira) e Nando, cometendo erros e armando trapalhadas – típicas da adolescência da época – e, ao mesmo tempo, explorando a nostalgia do público da forma mais inocente e descontraída.

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