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Novelas irmãs das séries norte-americanas

A ficção nacional está mais “rápida” e “interessante”. Os guionistas Rui Vilhena (“Olhos nos olhos”), Manuel Arouca (“Podia Acabar o Mundo”) e Maria João Mira (“Flor do Mar”) admitem que se inspiram nas séries norte-americanas.

À semelhança do que acontece com as principais produções televisivas “made in” Estados Unidos, que surgem repletas de acção, também a ficção nacional prende o espectador através de enredos cada vez mais cheios de ritmo, suspense e mistério, que lhes parecem conferir uma “maior rapidez”.

“Sete palmos de terra”, “Prison break” e até mesmo “Nip tuck” servem de base ao processo criativo de três dos guionistas nacionais que alcançam, com as suas ficções, os maiores quotas de audiência a nível nacional.

Apesar de o número de episódios continuar a rondar a média das duas centenas, e de continuarem a ter a duração de cerca de um ano, a verdade é que as telenovelas nacionais parecem estar mais rápidas, o que, a avaliar pelos elevados índices de audiências, parece captar cada vez mais a atenção dos portugueses.

Rui Vilhena, autor da novela da SIC – “Olhos nos olhos” -, confessa que muitos dos seus trabalhos são inspirados no quotidiano, na actualidade, e em séries norte- -americanas. O guionista nacional, que se considera um “autor urbano contemporâneo”, baseia muitas vezes os seus personagens em temas do dia-a-dia. Em “Olhos nos olhos”, a grávida Isabel (Marisa Cruz), que vivia uma “vida dupla”, ou Bernardo (Pedro Granger), um gay assumido, são exemplos em que o autor aproveitou problemas actuais da sociedade e os aplicou à ficção.

Rui Vilhena acredita que, hoje em dia, “as pessoas já não têm paciência para seguir uma novela que se arraste por muito tempo”, como tal, faz com que as suas tramas se “alimentem das séries americanas, no que diz respeito à parte técnica do guião, linguagem e estrutura, para tornar as histórias mais rápidas e interessantes”.

Um dos antigos êxitos do autor, a novela “Ninguém como tu”, alimentou-se de séries como “Sete palmos de terra”, bem como o recente êxito da TVI, que tem Paulo Pires como protagonista, “bebeu da estrutura da série “Irmãos e irmãs” .

Para o futuro da ficção nacional em Portugal, Rui Vilhena é bastante optimista considerando que ” actualmente, o produto nacional não fica a dever nada à qualidade do produto estrangeiro, quer seja em termos de figurino, quer em termos de efeitos especiais”.

O autor de “Podia acabar o Mundo”, em exibição na SIC, Manuel Arouca, aplica, igualmente, aos seus guiões, casos que presencia no seu quotidiano. “A personagem Mercedes (Adelaide Ferreira) nasceu de uma situação que apanhei num supermercado de uma senhora que estava a tratar de uma forma exagerada e exuberante a pessoa que lhe estava a arranjar a carne”.

O autor, que ultimamente se tem inspirado, “ao nível da narrativa, em séries como “Prision break” e “Lost”, defende o “encurtamento das novelas nacionais” para que estas “continuem de pedra e cal como tem vindo a acontecer”.

Maria João Mira, uma das autoras de “Flor do mar”, que hoje estreia na TVI, considera ainda que as telenovelas nacionais “continuarão a aevoluir de uma forma positiva, sempre respeitando o mercado e as opções estratégicas, uma vez que são as audiências que determinam as novelas”.

A autora de êxitos como “Fala–me de amor” e “Ilha dos amores” vê, desde sempre, em “Sete palmos de terra” a sua fonte de inspiração . Apesar de não ter referido nenhum personagem em particular, revelou um pouco do enredo de “Flor do mar”, que “vai andar em torno de lutas familiares, entre irmãos, pela terra”, confessando apenas que a sua inspiração vem de tudo o que lê e vê. A guionista entende a novela “cada vez mais como um espelho da vida, não esquecendo o factor lúdico, de entretenimento”.

Maria João Mira, que considera a sua profissão “muito absorvente” por se tratar de uma ocupação a tempo inteiro, que mesmo não tendo horário fixo é condicionada pela inspiração e prazos temporais, afirma convicta que “as pessoas cada vez mais gostam de suspense, mistério e, sobretudo, de ver a história a desenvolver-se”.

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