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Entrevista a Teresa Guilherme

A actual apresentadora d’ “O Momento da Verdade” (que termina na próxima terça-feira), Teresa Guilherme, já tem planos para 2009. Entre os seus projectos, está a produção de um programa de humor para a SIC. A apresentadora confessa que “Nunca quis ser empregada de ninguém”.

Leia, na íntegra, a entrevista feita pelo jornal “Correio da Manhã”:

As rescisões na SIC não a afectam?

Enquanto apresentadora nunca assinei contrato com ninguém. Estive na RTP, SIC e TVI e nunca assinei contrato. Nessa altura, tudo funcionava sem papéis, com acordos de cavalheiro. Hoje, sim, tenho um papel assinado. Mas nunca quis contratos de exclusividade, nunca quis ser empregada de ninguém, porque não tenho feitio, acho que começaria logo a transformar-me, a implicar com as pessoas. Prefiro a sensação de que me posso ir embora, apesar de sempre ter honrado os meus compromissos e nunca ter deixado um projecto por concluir. É uma maneira de estar na vida.

Em que moldes está, então, estabelecida a sua relação contratual com a SIC?

Depois de ter vendido a produtora Terra do Nunca à SIC assinei um contrato para apresentar um programa em 2008, que é ‘O Momento da Verdade’, e tenho um orçamento para 2009 para produzir uma série de programas. Eu não sou da SIC, trabalho para a SIC.

Como vê a restruturação da SIC?

Esta restruturação é um processo normal. Já aconteceu na RTP com Almerindo Marques. O objectivo é alivar as empresas. A informação que tenho é que todos os quadros do canal receberam a proposta de rescisão da administração. Vi o papel nas mãos de funcionários da Terra do Nunca e estou preocupada com o futuro deles, pois alguns são pessoas muito talentosas. A pensar neles estou decidida a avançar mais depressa com projectos que tenho como produtora para 2009, de forma a poder agarrar alguns desses funcionários.

Na SIC, com ‘O Momento da Verdade’, a Teresa não arrebatou audiências como o fez com o ‘Big Brother’, na TVI.

O momento era diferente e as novelas na TVI foram também uma alavanca. E depois, ‘O Momento da Verdade’ continua de saúde. Ele entra com 16% de share e chega até aos 30%. Mas houve factores que não favoreceram a agilidade do programa.

Que factores foram esses?

Não teve a ver com a produção nem com a apresentação. Teve a ver com a forma como se gravou. Gravar 13 programas em 29 dias foi mortal! Este tipo de concurso, que tem uma base de ‘reality’, precisava de ser muito bem estruturado por mim, por forma a dar tudo por tudo pelos concorrentes.

A pressa é inimiga da qualidade.

A maneira de fazer mais barato é fazer mais depressa. Mas aconteceram coisas mais graves.

O quê, por exemplo?

O horário. O programa deveria ter sido exibido depois das 22h30. E os primeiros cinco foram transmitidos a horas diferentes. Depois surgiram dois programas por semana, sem promoção. A partir daí o formato nunca mais se aguentou. O programa deveria ter tido 70 minutos. Num formato de apenas 50 minutos, após os intervalos, é muito difícil voltar a puxar pelo programa e atingir a mesma audiência.

E ainda havia o programa da Rita Ferro Rodrigues?

Não fazia sentido que logo a seguir ao ‘O Momento da Verdade’ entrasse um programa de estúdio a julgar os concorrentes. Isso foi prejudicial. Ao contrário do que se disse, nunca falei sobre o assunto com a Rita, de quem sou amiga há muitos anos. Apesar de tudo, ‘O Momento da Verdade’ faz uma audiência acima da média da estação. O programa poderia ter sido muito melhor, mas não me desiludiu.

Poderá haver uma segunda edição?

Não acredito. É um formato caro.

E se o programa tivesse sido em directo?

Tinha saído valorizado. O directo teria dado outro envolvimento às pessoas que estão em casa e às que estão no estúdio.

É verdade que foi sondada por José Eduardo Moniz?

Não. Encontrámo-nos num avião. Estivemos a conversar mas nem tocámos em trabalho. Se eu gostava de trabalhar com ele? Sim. Se ele gostava de trabalhar comigo? Não sei. Se isso vai acontecer? Não faço ideia. Ele pode contar comigo, conforme sei que posso contar com ele. Mas estou a falar da amizade profissional que existe entre nós. Estreei-me com o José Eduardo na RTP, é natural que nos demos bem. Como ele costuma dizer: o futuro a Deus pertence.

Voltaria a apresentar o ‘Big Brother’?

O ‘BB’ foi-se alterando e actualizando. Vi o formato espanhol e achei-o muito engraçado. Adorei trabalhar com a Endemol e com a Lurdes Guerreiro, com quem faria novamente equipa. Sim, gostava de voltar a apresentar o ‘BB’, mas isso não quer dizer que vá ser eu a fazê-lo. E o José Eduardo Moniz tem a Júlia, que seria uma excelente apresentadora. Ele não precisa de mim. Se seria divertido para mim? Sim, seria! Se seria divertido para ele? Não sei! E será que ele vai fazer o ‘BB’? Eu acho que não! 2009 vai ser um ano de crise e o ‘BB’ é um formato grande, dispendioso… Não sei. E não lhe vou perguntar, porque se o fizesse ele também não me iria dizer.

É nos directos que a Teresa melhor se encaixa?

É verdade. Adoro estar com atenção ao que as pessoas dizem, escarafunchar respostas e depois emocionar-me com elas e nem me lembrar mais do que estou em estúdio a fazer um programa. No directo há troca de energia muito forte.

Tem fundamento a notícia do regresso de uma nova versão de ‘Não se Esqueça da Escova de Dentes’?

O formato é actual, mas não há dinheiro agora para fazer uma coisa dessas. Ou talvez não, dado que o dinheiro ficou tão mais caro. Naquela altura, as pessoas queriam uma viagem para o fim do Mundo e um automóvel topo de gama como prémio. Hoje, qualquer dinheirinho como prémio já dá muito jeito. Adorei fazer aquele programa. Era muito giro voltar a fazê-lo.

Da nova geração, quem se vai distinguir na apresentação?

Fiquei muito surpreendida com o ‘Caia quem Caia’. Está muito bem feito e é difícil produzir aquele tipo de programa. Está ali um belíssimo trabalho. A Joana Cruz é uma excelente apresentadora, o José Pedro Vasconcelos tem um ‘boneco’ engraçado em TV e tem perfil para um determinado tipo de programa. E a grande surpresa é o Pedro Fernandes, que é brilhante e tem muita energia. E os repórteres de rua também são óptimos. Está ali um naipe de futuros apresentadores brilhante. As crises são boas para surgirem bons comunicadores.

Há apresentadores para determinados formatos?

O José Carlos Malato é um excelente apresentador de concursos, mas não gostei de o ver no talk show. Eu, por exemplo, de manhã nunca tive sucesso. É o estilo da pessoa que não se encaixa em determinados formatos. Não há apresentadores para tudo.

Que programas vai produzir em 2009?

Fiz algumas propostas ao Nuno Santos. E ele trouxe de Cannes um ou dois formatos que achou interessantes e que poderiam ser incluídos neste naipe de programas que vou produzir em 2009.

Já tem algum projecto entre mãos?

Para evitar que alguns amigos e óptimos profissionais entrem no desemprego quero arrancar já com um projecto de modo a agarrar alguns deles.

Que tipo de formato vai fazer?

Humor. Gosto muito de formatos de humor.

O humor faz falta no cenário audiovisual?

O humor e a informação! Rir é fundamental para as pessoas vibrarem positivamente. Em tempos de crise, procuram-se programas mais descontraídos.

Que mais tem na calha?

Um projecto engraçado que não tem a ver com a televisão, mas sim com o meio de comunicação mais directo que temos neste momento.

Está a falar da internet?

Sim. É só um projecto e foi um convite que recebi.

Se surgir um projecto interessante para apresentar noutro canal, fá-lo-ia?

Não está fora de questão.

Como reage aos boatos em torno da sua vida privada?

Chegámos a um ponto de grande crueldade. A crise fez com que os jornalistas, com receio dos despedimentos, escrevam peças que são verdadeiros ataques às pessoas. E ataca-se mais as mulheres do que os homens. Perturbou-me o que se escreveu sobre a Fernanda Serrano e o Pedro Miguel Ramos. As notícias sobre os namoros já não me incomodam. É desagradável é para os outros, como o Pedro Besugo, coitado. Magoou-me mais ver o título ‘Finalmente Separados’. É como se objectivo fosse separar duas pessoas.

Continua a relacionar-se bem com o seu ex-marido, Henrique Dias?

Continuamos amigos, a trabalhar juntos e falamo-nos com muita frequência.

Vejo que traz a sua comida de casa…

Sou muito cuidadosa com a alimentação. Não dispenso os grelhados, a fruta e a sopa caseira feita pela minha Lurdes, que levo em termos para onde quer que vá.

Evita determinados alimentos e bebidas?

Não bebo café há 20 anos, nem chá preto. Muito raramente bebo um refrigerante, quase aboli o açúcar, e faço questão de não dormir menos de oito horas por dia.

Tem programa para hoje à noite?

Vou jantar com as minhas ‘manas’ (Rita Salema, Patrícia Tavares e Cristina Cavalinhos) da peça de teatro ‘A Partilha’.

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