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Entrevista a Conceição Lino

Conceição Lino chegou à SIC ainda as emissões do primeiro canal privado não tinham começado. Em dia de aniversário do canal onde trabalha, a jornalista fala da importância do aparecimento das televisões privadas, o que mudou em 16 anos de emissão da televisão privada e do eu trabalho.


Leia, na íntegra, a entrevista do “Jornal de Notícias”:

Quando chegou à estação?
Foi antes do arranque. Comecei a trabalhar na SIC em Julho de 1992.

Passados 16 anos, que diferenças encontra?
Para já, as idades. (risos) São muito diferentes. Nós agora temos um leque de pessoas de idades mais variadas do que naquela altura, em que a esmagadora maioria da redacção tinha entre os 20 e os 30 anos.

E no seu trabalho?
A forma como encaro o meu trabalho é mais ou menos semelhante. O entusiasmo que eu tinha em relação às coisas, a satisfação que tinha em concretizar trabalhos, tenho-a na mesma. Em relação a isso pouco ou nada mudou.

Nota alguma evolução da receptividade dos espectadores?
A televisão privada, de uma forma geral – claro que a SIC tomou a dianteira logo nos primeiros anos – marcou e mudou muito a maneira de fazer televisão em Portugal. O facto de a televisão ter saído à rua e de ser mais visível a presença de câmaras era uma novidade. As pessoas nessa altura acanhavam-se mas tinham muita curiosidade, depois passaram a ter mais à-vontade perante as câmaras e agora até há quem ache que já há câmaras a mais e onde não deviam estar!

Quais foram os programas que marcaram a SIC?
Prefiro falar dos que me marcaram a mim e à estação, como o “Praça Pública”, que apresentei e coordenei com o Paulo Varanda. Tive a sorte de fazer parte da equipa, não logo no arranque, mas depois. Foi por excelência o programa que veio dar voz às pessoas. Depois seguiu-se o “Casos de Polícia”, o “Hora Extra”, que fiz mais recentemente, e o “Nós por Cá” que também é uma marca forte.

Além do “Nós por cá”, também está a apresentar o “Jornal da Noite”…
Sim. Ao longo dos anos fui tendo sempre uma presença aqui e ali nos jornais, mas nunca estive só a fazer isso.

Do que é que gosta mais?
Do que gosto mais é de poder fazer várias coisas em televisão. Cada um desses trabalhos exige de mim características diferentes e, como gosto de me envolver e empenhar no trabalho, prefiro até essa variedade. É uma maior riqueza, mas também dá mais trabalho. É o poder de ter experiências diversas e de tocar vários instrumentos.

Qual o volume de relatos que recebem para o “Nós por cá”?
Por e-mail e por carta, são dezenas por dia. Há alguns que se enquadram mais dentro do espírito do programa. Outros que nós encaminhamos para a redacção. Mas geralmente as pessoas que nos contactam são as que gostam do “Nós por Cá”, que o vêem e que têm uma ligação àquele espaço.

E na rua, as pessoas também lhe apresentam situações?
Não me agarram para contar uma determinada história. Mas se calha proporcionar-se a conversa, em circunstâncias das mais variadas, há sempre alguém que tem uma história para mim. Até mesmo colegas. Isso faz parte do meu dia-a-dia.

É a Conceição que escolhe os temas?
Escolho os temas e escrevo tudo aquilo que digo no programa. O que não posso fazer é estar em vários sítios do país a recolher e tratar dos casos. Para isso conto com os correspondentes e com as pessoas que trabalham comigo. A equipa foi reforçada, tenho mais duas pessoas na recolha dos casos e também para darmos mais atenção ao “Nós por Cá” no sítio da SIC.

Houve alguma história que a tenha marcado mais? Não só no “Nós por Cá”, mas em toda a sua experiência profissional?
Tantas… Uma das mais marcantes aconteceu no “Hora Extra”. Foi o caso da Inês, que na altura tinha dez anos e estava a precisar de um dador de medula óssea porque tinha leucemia. A mãe fez um apelo e houve uma reacção absolutamente extraordinária das pessoas. Graças ao caso da Inês muita gente ficou a saber que ser dador de medula é simples. A Inês infelizmente faleceu, não resistiu à doença e ainda hoje contacto com os pais dela, que são pessoas absolutamente extraordinárias. Criaram a associação Inês Botelho, que procura trazer alegria aos meninos doentes do IPO. Acho extraordinária a força desta família.. Tiro-lhes o chapéu.

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