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‘Call TV’ de vento em popa

Os ventos estão favoráveis aos concursos das madrugadas, chamados “call tv”. Por alguma razão, a SIC e a TVI põem-nos no ar todos os dias da semana. A promessa de dinheiro fácil cativa público. Uma média diária de 50 mil espectadores fala por si.

Tornaram-se um fenómeno de sucesso em Portugal. Apesar do horário tardio – vão para o ar encostados às três manhã – os programadores não os descuram. Têm-lhes mudado o nome e os apresentadores. Esta madrugada, o concurso da SIC inaugurou uma nova fase, mostrando-se com outra imagem e designação. E será enquanto “Todos em linha” que receberá um rosto conhecido. Ao contrário de Patrícia Henrique e Vanessa Palma, a nova apresentadora é familiar aos espectadores. Raquel Henriques, o reforço para a “rentrée”, participou em “Mistura fina” (TVI), “Jura” e “Maré alta” (da SIC).

Curiosamente, tanto o “Sempre a somar”, da TVI, como o “Todos em linha”, da SIC, abdicaram das presenças masculinas. Manuel Melo saiu do programa de Queluz. Raquel Henriques vai para o lugar de Quimbé. A montra fica agora exclusivamente feminina.

As estações investem nestes concursos por estes serem muito rentáveis. O porta-voz da TVI admite: “Claro que são compensadores”. Um elemento da produção daqueles programas explica que o lucro advém das chamadas telefónicas e aproveita a oportunidade para esclarecer que estas têm um preço fixo (72 cêntimos mais IVA). A ideia é reiterada pela estação de Queluz. “Há um acordo com uma operadora e depois parte do dinheiro da chamada é para a produtora e outra parte para a estação”. A SIC recusou-se a responder a qualquer questão sobre esta matéria.

O que sucede é que os concursos recebem diariamente milhares de contactos. O telefone não pára. Seduzidos pela hipótese de poderem ganhar 4000 mil euros, um dos prémios mais cobiçados por já ter sido atribuído várias vezes, os espectadores tentam chegar à emissão em directo. Só os que conseguem podem participar nos passatempos simples, fáceis de vencer, que incluem palavras cruzadas e ordenação por sílabas de um termo. O mais difícil é passar a barreira que dá acesso ao programa que está no ar. O grosso das tentativas não resulta. Fonte da produção garante, porém, que “o sistema de selecção dos telefonemas é feito aleatoriamente, através de uma máquina”. Para evitar burlas.

Números concretos da chamadas recebidas, nem aproximados que sejam, ninguém quis adiantar. O que se conta sem entraves é que há quem ligue mais do que uma vez e que já aconteceu serem contactados, na mesma noite, por todos os membros de uma família, incluindo filhos. Há também vozes que soam familiares à produção.

Para o porta-voz da TVI, o sucesso dos concursos deve-se à interacção estabelecida com o público. “Há muita gente disposta a passar as noites em claro, que vive sozinha e que quer falar com alguém; e com estes programas pode fazê-lo”. E, depois, “vieram preencher um vazio na grelha; diversificar a oferta”.

“Toca a ganhar”, antecessor de “Sempre da somar”, apresentado rotativamente por Ana Lúcia, Andreia Teles e Liliana Aguiar, que participou no “Big brother”, estreou na TVI, em Maio de 2007, seguindo-se, em Agosto, investida semelhante por parte da SIC, com “Quando o telefone toca”.

Fora de portas, o formato foi conquistando as estações generalistas, tendo, no entanto, sido mais notícia pelas piores razões. Em Inglaterra, a suspeita de fraude na triagem dos contactos levou a Ofcom a actuar, introduzindo um conjunto de regras apertadas para regular a participação dos espectadores. Em Portugal, a Deco, Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores, não tem nenhuma queixa registada.

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